6 de fevereiro de 2007

Aborto

A crença de que a mera condição de pertencer à nossa espécie, independentemente de outras características, tem grande importância para o mal de matar um ser constitui um legado de doutrinas religiosas que até mesmo aqueles que se opõem ao aborto hesitam em trazer para o debate.

O reconhecimento desta questão simples altera a questão do aborto. Podemos agora olhar para o feto tal como ele realmente é - vendo as características reais que possui - e podemos avaliar a sua vida colocando-a no mesmo escalão em que colocamos as vidas dos seres com características semelhantes que não são membros da nossa espécie. Torna-se agora claro que o nome do movimento Pró-Vida ou Direito à Vida é enganador. Longe de se preocupar com toda a vida ou de adoptar uma escala de preocupação imparcialmente baseada na natureza da vida em questão, quem protesta regularmente contra o aborto, mas come com a mesma regularidade carne de frango, porco ou vaca, revela apenas uma preocupação tendenciosa pela vida dos membros da sua própria espécie. Porque, em qualquer comparação justa de características moralmente relevantes - como a racionalidade, a autoconsciência, a consciência, a autonomia, o prazer e o sofrimento, etc. - , a vaca, o porco e a tão ridicularizada galinha, ficam muito à frente do feto em qualquer estádio da gravidez - e, se fizermos a comparação com o feto de menos de 3 meses, um peixe mostra maiores sinais de consciência.

Peter Singer
in Ética Prática, 2000

1 comentário:

Anónimo disse...

Como é que é possivel...
Vamos matar as criançinhas e salvar os pintos!!! Mas de que planeta é que tu és????????
Querias um movimento pró- galinha ?