O facto de à menor oportunidade os porcos se tornarem amigáveis com os seres humanos tem qualquer coisa de milagroso, se tivermos em conta a forma como invariavelmente os tratamos. Talvez os próprios porcos tenham consciência da semelhança entre nós e por essa razão nos considerem mais como primos que como membros de uma espécie completamente diferente. Ao contrário do que acontece com os cães, não parece haver um período crítico ao fim do qual os porcos já não possam ser socializados. Se forem tratados com afecto, mesmo os porcos adultos podem tornar-se tão amigáveis como qualquer cão que viva com uma família desde pequeno. Isto mostra capacidade de entrega e uma grande flexibilidade por parte dos porcos. A única grande diferença entre os porcos e os cães está na maneira como os tratamos. Com os cães brincamos, levamo-los a passear e rebolamos na relva. Raramente fazemos o mesmo com os porcos.[...]
As pessoas que vivem com porcos falam muitas vezes deles como as outras pessoas falam dos cães - consideram-nos inteligentes, leais, e acima de tudo afectuosos. Cada porco, repetem as pessoas que os conhecem bem, é um indivíduo completo, diferente de qualquer outro porco.
Jeffrey Moussaieff Masson
in O Porquinho que Cantava à Lua, 2005
in O Porquinho que Cantava à Lua, 2005
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