26 de março de 2007

Triunfo dos Porcos


O Triunfo dos Porcos, o clássico de George Orwell, é normalmente considerado uma fábula acerca do totalitarismo e da Rússia. Tanto os críticos literários como os leitores comuns parecem ver a intriga com os animais como um mero pretexto e motor da história. Orwell, no entanto, via-a a uma outra luz e explicou num prefácio escrito para a tradução ucraniana que a história lhe ocorreu quando viu um rapaz com talvez 10 anos de idade maltratar um cavalo. Foi surpreendido com a força da revelação «de que os homens exploram os animais de uma forma muito semelhante à forma como os ricos exploram o proletariado». Explicou ainda que andou com as ideias de Marx à volta na cabeça: «Procedi à análise da teoria de Marx do ponto de vista dos animais. Para eles, era claro que o conceito de luta de classes entre os seres humanos era uma ilusão pura, uma vez que, sempre que era necessário explorar os animais, todos os seres humanos se uniam contra eles: a verdadeira luta é a que acontece entre os animais e os seres humanos». Embora o itálico seja meu, tudo nos sugere que Orwell estava de facto convicto do que afirmou. De facto, no início do livro, Orwell faz dizer o seguinte aos animais da quinta: «Nenhum animal de Inglaterra conhece o significado da felicidade ou do lazer a partir da altura em que completa o primeiro ano de idade. Nenhum animal de Inglaterra é livre. A vida de qualquer animal é miséria e escravidão: esta é a pura verdade.» Não se tratará de um eco deliberado da famosa afirmação de Jean-Jacques Rousseau, de que o homem nasce livre, mas por toda a parte o encontramos escravizado?

O filósofo Stephen Clark observou uma vez que a escravidão humana apenas começou com a agricultura. Os caçadores-recolectores não faziam escravos, da mesma forma que não se envolviam frequentemente em guerras, uma vez que sem propriedade não havia muito por que lutar. Foram a agricultura e a domesticação dos animais, com o seu sentido inato das coisas que pertencem a umas pessoas, mas não a outras, que determinaram a força crescente da importância social e o início da guerra.

A comparação entre a escravatura e a domesticação de animais não é nova. Tal como muitas outras atitudes ocidentais, pode ser encontrada em Aristóteles, que escreveu na Política:

Para todos os animais domésticos há vantagens em estarem sob o domínio humano, uma vez que isso assegura a sua sobrevivência [...] Por analogia, isto aplica-se necessariamente também ao género humano como um todo [...] estas pessoas são escravas por natureza, e é preferível para elas estarem sujeitas a este tipo de domínio, da mesma forma que é preferível para as outras criaturas a que me referi.

A guerra e a caça, continua Aristóteles, são parte desta filosofia e ambos devem ser usados contra os animais e «aqueles homens de cuja natureza faz parte o serem governados por outros». Estas leis parecem muito favoráveis aos homens da classe de Aristóteles. As atitudes deste tipo morrem de uma morte muito lenta.

Jeffrey Moussaieff Masson
in O Porquinho que Cantava à Lua, 2005

20 de março de 2007

Testes em Animais - Marcas e Empresas

Vivissecção e Experimentação Animal


A vivissecção consiste na dissecação de animais VIVOS para estudos. A experimentação com animais expõe muitos e diversificados animais (desde macacos e ratos, passando por cães e gatos) a substâncias químicas, geralmente sem anestésicos, podendo ou não envolver o acto da vivissecção.

Estima-se que, anualmente, pelo menos mais de cem milhões de animais sofram em experimentações laboratoriais em todo o mundo, sendo que pelo menos 10-11 milhões são utilizados na União Europeia. Os animais são usados em muitos tipos diferentes de experiências, sendo que todas as experiências causam dor e sofrimento. Muitos dos animais envolvidos morrem em resultado da experiência ou são mortos para examinação post-mortem. Nos laboratórios, um animal pode ser envenenado; ser privado de alimento, água ou sono; ser submetido a substâncias irritantes para pele e olhos; ser sujeito a pressão psicológica; ser deliberadamente infectado com doenças; ver-lhe incutidos danos cerebrais; ficar paralisado; ser mutilado cirurgicamente; ser sujeito a radiações e queimado; ser sujeito a gases nocivos; ser alimentado à força e electrocutado...

Investigadores de todo o mundo usam animais para testar ou desenvolver praticamente tudo, desde produtos domésticos, cosméticos e aditivos alimentares, passando por produtos farmacêuticos, químicos industriais, agroquímicos, alimento para animais de companhia, dispositivos médicos, novas técnicas cirúrgicas, tabaco e produtos alcoólicos. As experiências de engenharia genética submetem os animais a uma enormidade de formas de deformidade física, bem como formas mais subtis de sofrimento. As experiências militares sujeitam os animais aos efeitos de gás venenoso, a descargas de armas tradicionais, a doenças de descompressão, queimaduras ou radiação...

As experiências com animais revelam-nos informações sobre os animais, não sobre as pessoas. Os resultados dos estudos com animais nunca podem garantir a segurança ou eficácia de medicamentos humanos ou outros produtos, pois existem diferenças biológicas, anatómicas e bioquímicas fundamentais entre as espécies. Diferentes espécies podem ter respostas completamente contraditórias a uma variedade de substâncias, e só quando uma substância é experimentada em testes clínicos com humanos é que sabemos realmente se é segura para utilização. O perigo de nos basearmos nos estudos com animais é ilustrado pela longa lista de medicamentos testados em animais que foram retirados do mercado ou cuja utilização foi restringida por terem originado efeitos secundários inesperados em pacientes humanos.

Mas, acima de tudo, sujeitar deliberadamente os animais a danos físicos e psicológicos em experiências laboratoriais é cruel e moralmente injustificável. As experiências com animais são horríficas. A indústria de pesquisa animal é responsável por infligir deliberadamente dor, sofrimento, angústia, doença e morte de milhares de milhões de animais todos os anos e em todo o mundo. Pela sua natureza peculiar, trata-se de uma indústria que permanece fechada ao escrutínio público. Opera em segredo e com portas fechadas...

18 de março de 2007

Suspeita de Envenenamento - o que fazer?

No caso de encontrar um animal com suspeita de envenenamento, deve:

1. Contactar imediatamente as autoridades
- SEPNA/GNR Central (Lisboa): 21 750 30 80 (E-mail: csepna@gnr.pt)
- SOS Ambiente: 808 200 520

2. Os cadáveres e amostras devem ser recolhidos APENAS pelas autoridades.

3. As autoridades recolhem os cadáveres e amostras, e devem entregar todo o material ao cuidado de 1 Médico Veterinário, com o respectivo termo de entrega.

4. O Médico Veterinário deve realizar a necrópsia de forma completa e emitir um relatório.

5. O Médico Veterinário deve enviar as amostras perfeitamente acondicionadas para o Laboratório Nacional de Investigação Veterinária (Porto ou Lisboa)

a.Caso o proprietário (ou alguém) queira e possa pagar as análises, deve ser feita a requisição nesse sentido, indicando sempre o tipo de tóxicos suspeitos (ex: Estricnina, Organofosforados, Carbamatos, Organoclorados, Rodenticidas, etc...), em função das lesões observadas na Necrópsia. Deve ser enviada a maior quantidade possível de amostras.
b. Mesmo quando não haja disponibilidade imediata de pagamento das análises, as amostras devem permanecer congeladas na posse do Médico Veterinário ou com as Autoridades, pois poderão ser requisitadas durante o processo judicial.

MUITO IMPORTANTE:
Apresentar SEMPRE uma queixa na GNR local, para garantir que o processo tem início.

Para esclarecimento de dúvidas, por favor, contacte os coordenadores do Programa Antídoto - Portugal

Programa Antídoto – Portugal

Os tóxicos são uma ameaça à Saúde Pública e à Biodiversidade. O uso ilegal de iscos envenenados e a falta de controlo sobre a venda e a utilização de muitas substâncias tóxicas comercializadas legalmente no mercado são duas situações com sérias repercussões na fauna, em particular nas espécies silvestres, muitas delas seriamente ameaçadas por este problema.

O Programa Antídoto – Portugal é uma plataforma contra o uso ilegal de venenos, constituída por várias entidades públicas e privadas portuguesas e que teve início oficial a 4 de Março de 2004. Este programa pretende combater as diversas formas de utilização indevida de substâncias tóxicas e contribuir para um melhor conhecimento sobre as consequências que essas práticas representam para a fauna silvestre.

16 de março de 2007

Circos SIM. Mas sem animais não humanos!

Em Portugal algumas dezenas de companhias circenses continuam a utilizar animais não-humanos em diversos "espectáculos" de circo realizados um pouco por todo o país. Os animais utilizados nessas actuações encontram-se sujeitos a condições verdadeiramente miseráveis e treinos altamente agressivos, que recorrem muitas vezes a instrumentos e métodos de tortura e punição. Encontram-se confinados a jaulas exíguas, sujas e são expostos para curiosidade das multidões, sem qualquer respeito pela sua Natureza, personalidade ou características biológicas. São um péssimo e degradante "espectáculo" educacional, dado que na Natureza os animais simplesmente vivem a sua vida, não representam "palhaçadas" improvisadas para entretenimento humano.

Os circos que utilizam animais representam pois um enorme atentado ao mais elementar bem estar animal e são um tremendo obstáculo ao desenvolvimento civilizacional da nossa sociedade.

11 de março de 2007

Ridículo

Já tive oportunidade de observar que quando, no meio de algum jantar para que fui convidado, digo a alguém que ando a escrever um livro acerca das vidas emocionais dos animais de criação, as pessoas me lançam um olhar estranho, como se eu tivesse dito uma coisa um pouco ridícula. Logo a seguir espetam as facas e os garfos no seu borrego, porco ou galinha, aparentemente nada curiosas acerca das vidas dos animais que estão a comer ao jantar.

Ora não se trata do que estamos a comer, mas sim de quem estamos a comer - pelo menos é o que me apetece dizer. Será que a questão do sofrimento a uma escala tão vasta merece ser objecto de troça?

Jeffrey Moussaieff Masson
in O Porquinho que Cantava à Lua, 2005

6 de março de 2007

Vida Boa

Estou convencido de que não é correcto criar animais para a alimentação humana. Estou convencido de que ninguém se preocupa com dar uma «vida boa» a um animal criado com o único objectivo de o servir à mesa. É demasiado fácil fazer batota, demasiado tentador não procurar descobrir o que pode contribuir para fazer uma vida boa para qualquer animal particular. Adequada, tolerável, suportável: trata-se de adjectivos que gostamos de aplicar às condições em que os animais vivem. Trata-se sem a menor dúvida de adjectivos que não gostaríamos de ter de aplicar às nossas próprias condições de vida.

Jeffrey Moussaieff Masson
in O Porquinho que Cantava à Lua, 2005

1 de março de 2007

Einstein

Although I have been prevented by outward circumstances from observing a strictly vegetarian diet, I have long been an adherent to the cause in principle. Besides agreeing with the aims of vegetarianism for aesthetic and moral reasons, it is my view that a vegetarian manner of living by its purely physical effect on the human temperament would most beneficially influence the lot of mankind.