24 de setembro de 2007

Vegansexualismo. Ética … Sexual?


Depois dos heterossexuais, dos homossexuais, dos bissexuais e dos metrossexuais, conhece agora os … vegansexuais.
Este novo conceito de orientação sexual foi recentemente formulado pelo Centro de Estudos Humanos e Animais, da Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia, no âmbito de um estudo denominado “Perspectivas e Experiências de Vegetarianos e de outros Consumidores Éticos”, estudo esse incluído num projecto mais vasto sobre a interacção entre seres humanos e animais. Este estudo foi realizado a nível nacional (Nova Zelândia) e baseou-se num inquérito a 157 vegetarianos sobre os seus hábitos de vida e opções de consumo.

Como é sabido, designa-se por vegano alguém que, movido por argumentos de natureza ética, de saúde, de respeito pelo meio ambiente e/ou religiosos, opta por não ingerir quaisquer alimentos de origem animal (incluindo lacticínios, ovos e mel). No entanto, o veganismo não se restringe à alimentação. É todo um modo de vida, com princípios estritos, que implica tomadas de posição bem definidas em muitos aspectos do quotidiano, como por exemplo: renunciar ao vestuário, calçado e acessórios em couro, lã ou seda (recorrendo a outros materiais como sintéticos, algodão, linho, cânhamo ou outras fibras), exercer o consumo responsável através do boicote a empresas que poluem o ambiente, que testam em animais, etc.

O que é então um vegansexual?
Sendo a actividade sexual parte da nossa natureza, é de esperar que, também esse campo da nossa vida seja objecto de reflexão e de opções por parte dos veganos. Um vegansexual é assim alguém que escolhe não se envolver íntima e sexualmente com parceiros que ingerem carne, sob o argumento de que os corpos destes últimos são autênticos “cemitérios de animais”, literalmente construídos e sustentados por restos de cadáveres, animais abatidos em condições que implicaram grande sofrimento para os mesmos. Um vegansexual não aceita envolver-se com alguém que contribuiu para os maus tratos e matança de seres vivos, nem com alguém cujos fluidos corporais transportam resíduos de uma alimentação carnívora (suor, saliva, esperma…). Já para não falar do odor corporal, habitualmente mais intenso e pungente naqueles que ingerem carne do que nos vegetarianos.
Não deixa de ser verdade também que todos nos sentimos, regra geral, atraídos por pessoas com interesses e hábitos semelhantes aos nossos, pois isso tende a facilitar a convivência no dia-a-dia. Para um vegano, pode ser difícil aceitar partilhar refeições com um parceiro que se alimenta de carne, devido, por exemplo, à contaminação dos utensílios de cozinha e ao cheiro dos cozinhados com carne. Por muito forte que seja a atracção sexual, esta raramente sustenta por si só os desafios do convívio prolongado...

Segundo o estudo neo-zelandês, as opções de vida dos veganos levam-nos a tomadas de consciência sobre o seu próprio corpo, o dos outros, e a uma visão diferente da vida. Essa tomada de consciência leva-os a considerar moralmente repugnante e eticamente inaceitável ter relações íntimas com carnívoros ou sequer beijar alguém por cujos lábios tenham passado pedaços de alimentos de origem animal.
Ainda segundo o estudo, são principalmente as mulheres que manifestam particular repulsa pelo envolvimento íntimo com parceiros que ingerem carne. Algumas, apesar de não se descreverem inteiramente como vegansexuais (já que consideram alguns carnívoros sexualmente atraentes), têm o vegetarianismo como critério preferencial na escolha dos seus parceiros.

Se um tal selectivismo reduz fortemente a possibilidade de encontros amorosos para os veganos (veja-se o caso de Portugal, onde a comunidade vegana é ainda reduzida), o sexo é também em si uma forma de apelo e activismo eficaz, já que, devidamente orientada e sem imposições e radicalismos, pode contribuir para mudar a forma de pensar de muitos potenciais parceiros sexuais e de vida, incutindo-lhes hábitos de vida mais saudáveis (para si próprios e para o planeta) e eticamente aceitáveis.

http://www.centrovegetariano.org/Article-445-Vegansexualismo.+Ética+…+Sexual?.html


23 de setembro de 2007

4 de Outubro: Um Dia Para Relembrar Todos os Animais


Aproxima-se o Dia Mundial do Animal. Normalmente, as celebrações deste dia centram-se nos animais de companhia. Contudo, além dos cães e dos gatos, há muitas outras espécies de animais que também sofrem diariamente e que também necessitam urgentemente de ajuda. Por exemplo:
  • Os porcos, as vacas, as galinhas, os peixes e outros animais utilizados pela indústria alimentar.

  • Os ursos, os felinos, os elefantes, os golfinhos e outros animais explorados por circos ou parques zoológicos.

  • Os touros massacrados em touradas.

  • Os primatas, os coelhos, os ratos e outras cobaias utilizados para os mais diversos fins em laboratórios de experimentação animal.

  • As raposas, os furões, as focas, as chinchilas e outros animais mortos pela sua pele.

No Dia Mundial do Animal, assuma o compromisso de procurar ajudar activamente todos os animais sencientes!

Encoraje as pessoas a reflectirem sobre a forma como se relacionam com os outros animais.

Encomende Posters/Postais de Defesa dos Animais e Receba Folhetos Gratuitos!
Metade dos Fundos Destina-se à Esterilização de Gatos de Rua.

Para o ajudar a sensibilizar e informar aqueles que estão mais perto de si, por cada conjunto de Posters/Postais Pelos Animais que encomendar, a Associação Pelos Animais oferecerá um conjunto de folhetos educativos "Animais Como Nós".

Seja activo na defesa dos animais! Não só no dia 4 de Outubro, mas todos os dias do ano. Seja a voz daqueles que sofrem em silêncio e na sombra das nossas sociedades. Seja a voz daqueles que não podem falar por eles.

Pelos animais,

Associação Pelos Animais • http://www.pelosanimais.org.pt/

21 de setembro de 2007

Principais Razões e Objectivos do “Manifesto ANIMAL”


O “Manifesto ANIMAL” é uma proposta orientadora para um tão necessário e esperado Código de Protecção dos Animais português. O “Manifesto” tem como objectivo mostrar o caminho para o avanço legislativo desejado da protecção dos animais em Portugal, onde estes têm permanecido desprotegidos, desprezados e, pior do que isso, vítimas de todos os tipos de violência, sempre exercida impunemente. O “Manifesto” pretende apresentar ao Parlamento a forma exacta como o Estado Português pode e deve corrigir as suas faltas nesta área.


Embora esta proposta orientadora para um Código de Protecção dos Animais possa ser vista como muito moderna e ambiciosa, a verdade é que esta está ainda muito longe do tipo de protecção de que os animais precisariam. Infelizmente, os esforços legislativos para proteger os animais quase sempre caem na armadilha de ter que se conceder, do ponto de vista formal e legislativo, que os animais sejam vistos e tratados como propriedade, o que é absolutamente imoral e profundamente injusto. Contudo, esta proposta é tão realista e tenta chegar tão longe quanto é possível, num contexto em que, por insuficiente que a mesma possa ser de um ponto de vista ideal dos direitos dos animais, é urgente garantir um grau considerável de protecção legislativa aos animais portugueses. É neste sentido que a proposta é razoavelmente ambiciosa mas realista, e é inspirada na visão de que os animais são tão merecedores de respeito e protecção quanto são os humanos.


Esta proposta para um Código de Protecção dos Animais é extremamente restritiva no que diz respeito ao uso dos animais com fins lúdicos, somente permitindo o uso de animais em actividades de entretenimento quando não seja feito de forma invasiva e não ponha em causa a integridade física e emocional e a dignidade dos animais que forem envolvidos nessas actividades. De todos os tipos de utilização dos animais, o uso e abuso destes na indústria do entretenimento parece ser a mais perversa, não só porque é a mais evidentemente desnecessária, mas também porque aquilo que se pretende desta actividade é derivar uma qualquer espécie de prazer a partir da exploração e até, em muitos casos, violentação activa e explícita de animais.


O "Manifesto ANIMAL" pede uma proibição total de todos os tipos de experiências com animais, não só porque esta é uma prática extremamente violenta, cruel e injusta para os animais, mas também e importantemente porque esta é uma prática absolutamente desnecessária, fraudulenta e perigosa do ponto de vista científico.


Segundo as normas que resultarão, espera-se e pede-se, da transformação da essência deste documento na nova lei que tão urgente é, os animais de companhia e os animais selvagens serão fortemente protegidos. É igualmente pedido no “Manifesto” que o Estado proíba todo o comércio de pêlo de animais, em todos os aspectos desta actividade. O “Manifesto” pede ainda ao Parlamento que proteja os animais de quinta de uma forma mais estrita, nomeadamente proibindo muitas das práticas pecuárias mais cruéis e estabelecendo regras para fazer com que o desenvolvimento da actividade da indústria pecuária esteja obrigado a tornar-se progressivamente mais extensivo/orgânico, reduzindo minimamente, mas de forma importante, o peso dos males causados aos animais vítimas desta indústria.


A proposta tem também como objectivo estabelecer um conjunto de obrigações, fortes e claras, que vinculam as autoridades policiais e veterinárias ao dever imediato de prevenir, combater e eliminar actos a violência e o abuso de animais quando sejam proibidos por lei.


Para além de muitos outros pontos que cobre, o "Manifesto ANIMAL" inclui essencialmente as seguintes propostas-chave:


- Estabelecer obrigações gerais fundamentais do Estado Português, vinculando a estas também as suas instituições e agentes, para com os animais e para com a protecção da saúde, do bem-estar e da vida destes;


- Estabelecer a obrigação do Estado Português de i) definir, de forma clara, o que é e deve ser legalmente permitido em termos de actividades de utilização / exploração / morte de animais, regulamentando de forma rigorosa e restritiva estas actividades, e de ii) de definir claramente e em pormenor que actividades são e devem ser proibidas, bem como penas e procedimentos administrativos e penais fortes, simplificados e de rápida e fácil aplicação para os casos de incumprimento das normas vigentes de protecção dos animais;


- Estabelecer a obrigação do Estado Português de educar o público, em especial as crianças e jovens no seio da comunidade escolar, acerca das características dos animais, das suas necessidades e da sua respeitabilidade;


- Estabelecer uma norma que imponha que os médicos veterinários tenham como principal dever e responsabilidade profissional a protecção da saúde, do bem-estar e da vida dos animais, estabelecendo penas para os médicos veterinários que, no exercício da sua profissão, ajam, ou recusem-se a agir, de modo a não protegerem a saúde, o bem-estar e vida dos animais; para além destas obrigações, propõe-se também que os médicos veterinários que trabalhem em áreas profissionais onde a inflicção de dor e/ou morte a animais seja legalmente permitida e especificamente autorizada pelo Estado sejam obrigados a assegurar, tão satisfatoriamente quanto possível, que os animais sofrem o menos possível e que a sua dignidade seja o menos possível posta em causa;


- Estabelecer a obrigação das pessoas e empresas que tenham animais sob o seu cuidado – independentemente do propósito com que os mantenham –, se e quando falharem em prestar os cuidados a estes animais de acordo com o estabelecido no Código de Protecção dos Animais ora proposto, entregarem imediatamente estes animais ao cuidado de organizações de protecção dos animais que estejam preparadas para recebê-los, ficando estabelecida a obrigação destas pessoas ou empresas ficarem responsáveis pelas despesas inerentes à prestação dos cuidados de que estes animais precisarão até ao fim natural das suas vidas;


- Estabelecer a obrigação das autoridades responsáveis por fazer cumprir a legislação de protecção dos animais, em particular das polícias e das autoridades veterinárias, de intervirem prontamente nos casos em que a obrigação acima referida não seja cumprida, apreenderem os animais em causa imediatamente, entregando-os ao cuidado de organizações de protecção dos animais que estejam preparadas para os receber, assegurando-se estas autoridades de que os prevaricadores não falharão na responsabilidade de providenciar assistência financeira à organização que ficar a cuidar dos para que estes tenham os necessários cuidados e protecção até ao fim natural das suas vidas;


- Proibir todas as formas de amputação / mutilação (corte de orelhas, corte de caudas, etc.) ou alteração da anatomia de animais, independentemente da espécie a que os animais pertençam, excepto quando estes procedimentos forem recomendados e executados por um médico e apenas quando essa recomendação médica for baseada numa necessidade de saúde do animal ou seja motivada pela necessidade de prevenir que o animal se reproduza (esterilização);


- Estabelecer todos os actos de violência passiva (ex: abandono) ou activa (ex: agressão) contra animais como crimes puníveis com pena de até 1 ano de prisão, elevando-se a pena de prisão até aos 3 anos, quando o acto de violência cause lesões graves e/ou morte ao animal;


- Estabelecer procedimentos legais simples e rápidos que a polícia e as autoridades veterinárias possam accionar no sentido de prevenir, combater e penalizar o abuso de animais;


- Estabelecer a obrigatoriedade das câmaras municipais de recolherem os animais errantes, recuperá-los quando estiverem feridos ou doentes, vaciná-los, esterilizá-los e de promoverem a adopção responsável destes, à excepção do caso dos gatos assilvestrados, que devem ser capturados pelas câmaras municipais, esterilizados, vacinados e levados de volta para lugares seguros onde possam viver com as suas colónias e onde se sintam integrados no seu habitat natural;


- Proibir a venda de animais vivos em lojas de animais, mercados e feiras, à excepção dos mercados de animais (na indústria pecuária) que cumpram todas as novas disposições legais e que estejam licenciados para funcionar;


- Proibir a detenção, venda e compra de animais selvagens (peixes, aves, roedores e semelhantes incluídos) enquanto animais de companhia;


- Criminalizar o tráfico e o comércio de animais exóticos e selvagens;


- Proibir a manutenção de grandes símios, cetáceos e elefantes em cativeiro, bem como a inflicção de sofrimento e/ou morte a animais destas espécies; estabelecer a permissão exclusiva para a manutenção destes animais em regime de cativeiro quando estiverem instalados em santuários ou centros de resgate sem fins lucrativos, com o fim único de mantê-los protegidos e com todas as condições necessárias para que a sua segurança, conforto e máxima liberdade possível fiquem salvaguardados, tendo em consideração as características naturais dos indivíduos destas espécies; estabelecer a permissão exclusiva para a inflicção de sofrimento a estes animais quando isso seja uma implicação necessária derivada de procedimentos médicos realizados no melhor interesse dos animais, e para a indução da morte destes, quando ela aconteça em casos de verdadeira eutanásia, quando os animais estejam irrecuperavelmente feridos ou doentes, sem qualidade de vida, de forma permanente, caso em que a eutanásia é do interesse dos animais;


- Proibir a criação e/ou morte de cães, gatos e cavalos para posterior extracção, uso e/ou comércio da sua pele, pêlo e/ou outras partes do corpo destes animais; proibição do comércio de produtos derivados de cão, gato ou cavalo;


- Proibir a caça, criação e morte de animais para posterior extracção da sua pele e pêlo, excepto quando esses animais sejam mortos para consumo da sua carne e somente quando essa carne seja habitualmente utilizada nos circuitos alimentares em Portugal, salvo no caso dos coelhos, cujo pêlo é proibido aproveitar;


- Proibir todos os tipos de touradas e actividades tauromáquicas;


- Proibir todos os tipos de lutas entre animais e entre animais e humanos (afectando especialmente as lutas de cães e as lutas de galos);


- Proibir a manutenção e o uso de animais domésticos e selvagens em circos e em qualquer tipo de exibição, excepto em parques zoológicos licenciados que estejam a operar de acordo com o disposto no Código de Protecção dos Animais que é agora proposto;


- Proibir o uso de animais selvagens em publicidade;


- Proibir o exercício, a prática e a competição de tiro com animais vivos (afectando especialmente o tiro aos pombos);


- Proibir as largadas (largada de aves criadas por humanos para serem abatidas por caçadores logo após serem largadas e sem terem o comportamento natural de animais selvagens, ou seja, pelo facto de terem sido criadas por humanos, não fogem dos outros humanos que as perseguem para as matar por "desporto");


- Proibir as corridas de cavalos e de cães;


- Estabelecer regras mais exigentes para os parques zoológicos, também de modo a que sejam igualmente aplicáveis às chamadas "quintas pedagógicas"; proibir a construção de novos parques zoológicos no país; proibir a reprodução de animais em parques zoológicos, excepto nos casos em que estes animais pertençam a espécies em vias de extinção e exista um programa de reprodução oficialmente reconhecido e supervisionado, de modo a assegurar a sobrevivência dessas espécies;


- Proibir o uso de animais em experimentação e pesquisa;


- Estabelecer normas exigentes para os abrigos, centros de resgate, centros de reabilitação e santuários para animais, sejam eles governamentais ou não, e estabelecer a obrigatoriedade destas estruturas terem uma natureza necessariamente não-comercial;


- Estabelecer direitos e deveres mais fortes e amplos para as organizações não governamentais de protecção dos animais, nomeadamente dando-lhes um maior poder de intervenção, assim como aumentando as suas responsabilidades;


- Estabelecer normas de bem-estar mais rígidas para a exploração de animais pela sua carne, leite e ovos, proibindo a alimentação forçada, a manutenção de animais em gaiolas (galinhas poedeiras e coelhos) e celas (porcas gestantes e vitelas), proibindo o abate ritual de animais, excepto quando: 1) estes pertençam a espécies habitualmente usadas nos circuitos alimentares em Portugal, 2) a carne dos animais seja necessariamente consumida a seguir ao abate e 3) o abate ritual tenha lugar em matadouros licenciados, sendo os animais adequadamente insensibilizados antes do abate; estabelecer, de um modo geral, normas legislativas de bem-estar animal que obriguem a actividade pecuária a tornar-se progressivamente mais extensiva / orgânica, diminuindo, de forma mínima mas importante, o impacto dramaticamente negativo que tem nos animais explorados nesta indústria.


16 de agosto de 2007

Lisa the Vegetarian

"Lisa the Vegetarian" is the fifth episode of The Simpsons' seventh season. This episode establishes Lisa's status as a vegetarian, an idea that was first hinted in the episode "Lisa's Wedding". The episode featured guest star Paul McCartney. One of Paul McCartney's stipulations for doing the guest spot was that Lisa's conversion to vegetarianism be a permanent one. Thus, it is an instance of continuity in the Simpsons universe that has been strictly held to. Around the time this episode aired, David Mirkin, who works on the show, had just become a vegetarian.

http://en.wikipedia.org/wiki/Lisa_the_Vegetarian

2 de agosto de 2007

Férias Felizes | Animais Felizes


Agora que é tempo de férias não esqueça os seus animais.

Coloca-se a questão: onde os deixar durante este período?

Se puder, leve-os consigo, porque os animais são bons companheiros em todas as situações e as suas férias serão certamente, para si e para o seu animal, mais agradáveis e divertidas.

Pensando em si e principalmente nos animais a LIGA PORTUGUESA DOS DIREITOS DO ANIMAL indica-lhe algumas opções que lhe permitirão ter umas férias mais tranquilas.

Agora a opção é sua.

Tenha umas férias felizes sabendo que o seu animal está protegido.

Não faça das suas férias um pesadelo para o seu animal!

23 de junho de 2007

Igualdade

Felizmente não é necessário fazer depender a defesa da igualdade de um resultado particular da investigação científica. A resposta adequada àqueles que afirmam ter encontrado a prova da existência de diferenças com base genética nas capacidades evidenciadas pelas diferentes raças ou sexos não é o apego à ideia de que a explicação genética deve estar errada, seja qual for a prova em contrário que surja; ao invés, devemos tornar bem claro que a defesa da igualdade não depende da inteligência, da capacidade moral, da força física ou características semelhantes. A igualdade é uma ideia moral, e não a afirmação de um facto. Não existe nenhuma razão obrigatória do ponto de vista lógico para uma diferença factual de capacidade entre duas pessoas justificar qualquer diferença na consideração que damos às suas necessidades e interesses. O princípio da igualdade dos seres humanos não constitui uma descrição de uma suposta igualdade factual existente entre os humanos: trata-se de uma prescrição do modo como devemos tratar os seres humanos.

Peter Singer
in Libertação Animal, 1990

6 de maio de 2007

Pepe

21 de Maio de 1994

Não sei se os cães têm só instinto, se é lícito designar por manifestações de inteligência propriamente dita (e isto que quererá dizer?) certos seus procedimentos correntes. Do que não pode haver dúvidas é de que Pepe esteja superiormente dotado do que chamamos sensibilidade, se não no sentido humano, pelo menos naquele que nos permite dizer, por exemplo, que um aparelho de precisão está afinado para registar diferenças ou erros levíssimos. De um erro, precisamente, se tratou neste caso, um erro de que o cão se apercebeu ter cometido e que, no mesmo instante, emendou. A história conta-se em menos palavras do que as que já levo escritas. Estava sentado, a ler, quando ouço um conhecido raspar de unhas numa das janelas que dão para o terraço: é Pepe a pedir que lhe abram a porta. Levantei-me e fui abrir. Entrou sem me dar atenção, disparado como um tiro, atraído pelos cheiros de comida que vinham da cozinha, onde se preparava o almoço, quando de repente, ainda à minha vista, estacou, virou-se para mim, olhou-me durante dois segundos, de focinho bem erguido, e só depois, devagar, continuou o seu caminho. Não aconteceu mais do que isto, mas a mim ninguém me tira da cabeça que Pepe se deu conta de que não me tinha agradecido e parou para pedir desculpa...

José Saramago
in Cadernos de Lanzarote, 1998

19 de abril de 2007

What would a vegetarian world look like? They dock sheep, don't they?

When I was asked to comment on the question in the title I thought it would be easy to do. But it's not. Ethologists like myself often begin their investigations of animal behavior, cognition, and emotions with the question, "What is it like to be a ____?", where the blank refers to a particular animal. So, regarding my own research, I often ask "What is it like to be a dog?" It's almost easier for me to answer this question than to answer the question "What would a vegetarian world look like?" But let me try.

"Oh, I love animals, but I eat them . . . "

A vegetarian world would be a more compassionate world, because it's well-known that compassion to animals can spread to compassion to people. When people tell me they love animals but nonetheless eat them (or hunt them), I'm incredulous, and I'm glad they don't love me. How can you love a being and then eat her or him? Even if the animal was free-ranging or had "good welfare," he or she surely suffered at some point of the process of becoming a human meal. And "good welfare" usually is not "good enough."

"Oh, I'm an environmentalist but I eat meat"

I'm also incredulous that environmentalists can eat animals, especially those from factory farms and other food industries. Putting aside animal ethics for a moment, which of course is really impossible to do, the ecological destruction caused by the food industry and the incredible waste of resources that go into producing factory-farmed food is staggering. So, even if one doesn't think animals have a right to life or that "good welfare" is "good enough", there are still many compelling environmental reasons not to eat other animals.

A vegetarian world will also be absent of people making lame excuses about why they eat meat. I've been told that there are a very few people who might "need" meat, but the vast majority of people do not. So, even if there are a few people who need meat, for most people there are readily available non-meat alternatives that are as good or better for them. I'll allow for discussions of cultural traditions and the consumption of animals (a topic that goes far beyond my own expertise), but really, to the best of my knowledge, no one who I know has to eat meat, yet many of my friends do.

Moving toward a vegetarian world

While I am a very hopeful and optimist man, I'm not optimistic that the world will ever be totally vegetarian. But I am optimistic that more and more people will become vegetarian on ethical grounds alone. Raising consciousness about the horrific and inexcusable enduring pain and suffering that billions of food animals go through each year will make those who "really care" stop eating meat. And I mean not only mammals but also birds, fish, reptiles, and amphibians and even insects.

Le me also say that I think it is silly that arguing for a vegetarian world is thought to be radical. Why is the word "radical" used to mean working hard and gently for a more compassionate planet and a better Earth? I just don't get it.

Asking difficult questions gently and the value of educating people

When I ask people why they eat meat I don't want to hear that there aren't suitable non-animal alternatives or that they don't want to know about the pain and suffering experienced by the meal they're eating. But I don't "put it in their face" - I ask the question nicely without being pushy and see what they have to say. Putting someone on the defensive insures that you will lose the argument and the possibility to make your point.

The eyes tell it all. I also spend a lot of time trying to educate people about the emotional lives of animals, that individuals of many species really do experience a wide variety of emotions including much pain and suffering. I ask them to look into the animal's eyes. Their eyes tell us this - just look into them if you dare. Jane Goodall wrote about the young chimpanzee Flint's sunken eyes as he grieved the loss of his mother, Flo, and Konrad Lorenz also noted how the eyes of a grieving goose sink back into its head. Jody McConnery wrote of traumatized orphan gorillas: "The light in their eyes simply goes out, and they die." And, happy dog's eyes are wide-open and shine with joy. Recently, three men near my hometown of Boulder tried to save a young mountain lion who had been hit by a car. The lions' eyes begged them to do so. And years ago I stopped euthanizing - killing - cats as part of a research project when Speedo, a very intelligent cat, looked at me and asked "Why me?" I'm sure these stories aren't new to most of you.

And there are meetings devoted to educating people about animal emotions and animal sentience. On March 17th and 18th, 2005, more than 600 people from about 60 nations came to London for one of the most important meetings I've attended in the past three decades, organized by the Compassion in World Farming Trust (CIWF). Not only were numerous countries and cultures represented but so were many academic disciplines - zoology, anthropology, sociology, economics, food science and agriculture, law, psychology and philosophy - along with people working on practical matters, including those who develop and implement guidelines for the humane treatment of animals and those who work for industries in which countless animals are penned, stunned, harmed, and killed for human consumption. A sole and brave representative from McDonalds delivered a lecture in which he tried to defend the company's practices and progress toward humane treatment of the countless animals they serve up as food, and while I admired his courage his talk was less than convincing, sounding more like recruitment propaganda for future employees. McDonalds and all other food industries have a long way to go and we must keep the pressure on them to change their ways.

Animal emotions and why they matter: Animals aren't unfeeling objects

The study of animal emotions raises many difficult questions. My own lecture at the CIWF meeting centered on asking complicated and frustrating questions, the answers to many of which are obvious. Well, the answers are obvious to some, at least. I asked people to throw caution to the wind and to be deeply passionate because doing this will make us dig deeply into our minds and hearts to see who we are and what we think about matters at hand. And sometimes we don't like where we wind up outside of our comfort zones, because doing this makes us ask hard questions and answer them honestly,

Some of the areas with which I was concerned and also shared among many of my colleagues included wide-ranging discussion of the following questions
(presented here along with some of my own views).

*Are we really the only animals who experience a wide variety of feelings? In my view the real question is why emotions have evolved not if they have evolved in some animals. Emotions function as a "social glue" and as "social catalysts". Animal emotions and moods swings grab us. It is highly likely that many animals exclaim "Wow!" or "My goodness, what is happening?" as they go through their days enjoying some activities and also experiencing enduring pain and suffering at the hands of humans. We don't need any more "Oh, aren't they cute?" pictures or "Ain't she sweet!" pictures or videos to convince us that a whimpering or playing dog, or a chimpanzee in a tiny cage or grieving the loss of a friend, or a baby pig having her tail cut off "docked" as this horrific and inexcusable procedure is called - or having her teeth ground down on a grindstone feel something. Surely animals don't like being shocked, cut up, starved, chained, stunned, crammed into prison-like cages, tied up, isolated, or ripped away from their families and friends. Recent scientific data do indeed show that chronic pain is associated with docking. Is this really surprising? Who are we kidding? I think we're kidding ourselves. Are we afraid of being too sentimental, too soft, or of being right? Cows also can be moody, hold grudges and nurture friendships. Is this really surprising? Animals aren't unfeeling objects. What animals feel is more important than what they know when we consider what sorts of treatment are permissible. When in doubt, err on the side of the animals.

Numerous pigs (and other farm animals) are mistreated daily in factory farms. Scientific research shows that pigs suffer from stress, anxiety, and depression. Surely it's not a big jump to claim that they don't like having their tails cut off and their teeth ground down. Their squealing tells us that, doesn't it. Michael Mendl notes that pigs can be stressed by normal farm management procedures. Indeed, this and other findings support the idea that all too often "good welfare" simply is not "good enough.

* Is anthropomorphism really all that bad? We have to be anthropomorphic because we need to use language to describe and explain the behavior and feelings of other animals/ But we must be careful when we use human terms to describe and to explain animal emotions and also we must take into account the animal's point of view. I call this "biocentricanthropomorphism". Sometimes, critics of anthropomorphism, like those who work for zoos or in factory farming, feel free to tell us that an individual is "doing well" but criticize us when we say that they're not doing well. This self-serving hypocrisy makes no sense. And we must not let them get away with it.

*What do we feel about animal emotions and animal sentience when we're alone, away from colleagues, and pondering how we make our livings? Are we proud of what we do to and for other animals and do we want others, including our children, to follow our path? Should we continue what we're doing?

*What do we tell others, including our children, about how we make our livings? What words do we use and how do we explain the emotions and passions of animals who we use and abuse for our and not their ends. Do we tell our children and friends that we cut the tails off squealing piglets and also grind their teeth as they squirm and try to stop us? Or do we sanitize our actions because we want to distance ourselves from the animal beings to whom we bring immeasurable harm and suffering and horrific deaths.

*Who gets paid by whom, and why do so many slaughterhouse workers apparently not like their jobs and seek counseling. Harming animals intentionally surely can't be "fun" or good for one's psychological well-being. Some of those who think that science justifies being purveyors of pain are paid for the research by the very companies that are responsible for bringing unjustifiable pain and suffering to billions of animals each and every year.

*I also stressed that very often "good welfare" simply isn't "good enough". One speaker at the meeting said that we should try hard to provide the best welfare whenever possible. This isn't good enough. We must provide the best welfare all of the time.

We can always do better: Changing the paradigm

Animals deserve more and we can always do better. The bottom line is that we must change minds and hearts and time is of the essence. Far too many animals - billions if you dare imagine it - are harmed each and every second of each and every day worldwide. If we can change minds and hearts and especially current practices in which animals are used and abused we are making progress, and there is hope.

To cut through the chase, we need a paradigm shift in how we study animal emotions and animal sentience. We need to take the skeptics to task and switch the table and have skeptics "prove" that animals don't have emotions rather than our having to prove that they do. I recall an event at a symposium that was held at the Smithsonian Institution renowned elephant expert Cynthia Moss talked about elephants and showed wonderful videos of these incredibly intelligent and emotional beasts. During the question and answer period a former program leader from the National Science Foundation asked Cynthia "How do you know these animals are feeling the emotions you claim they are?" and Cynthia aptly replied "How do you know they're not?"

This was a very important exchange because of course he couldn't answer his own question with certainty and neither could Cynthia. However, scientific data, what I call "science sense," along with common sense and solid evolutionary biology, would favor her view over his.

As we change the paradigm and move forward we are in a good position to use the precautionary principle. Basically, this principle maintains that a lack of full scientific certainty should not be used as an excuse to delay taking action on some issue. So, in the arena of animal emotions and animal sentience, I have argued that we do know enough to make informed decisions about animal emotions and animal sentience and why they matter. We shouldn't tolerate a double-standard of proof. Skeptic's stories aren't any better or truer than ours. And even if we might be "wrong" some of the time this does not mean we're wrong all of the time. And so what if we're wrong some of the time or unsure about how to proceed? At least we won't be adding more cruelty to an already cruel world. And, when in doubt we should err on the side of the individual animal.

We're all in this together

Each and every individual is part of a communion of subjects as Thomas Berry calls it, a vital member of innumerable webs of Nature. Suffice it to say, we are "all in this journey together" - each of us is an integral part of the ongoing story of life and of the panoply of nature's magnificent and wondrous webs.

What befalls animals befalls us. A close relationship with nature is critical to our own well-being and spiritual growth. And, it is the animals to whom we owe our utmost unwavering respect and concern for their well-being, independent of our own.

The bottom line is simple:

Often "good welfare "simply isn't "good enough". Animals deserve more and we can always do better.

All we need is love

In the grand scheme of things, individuals receive what they give. If love is poured out in abundance then it will be returned in abundance. There is no need to fear depleting the potent and self-reinforcing feeling of love that continuously can serve as a powerful stimulant for generating compassion, respect, and more love for all life. Each and every individual plays an essential role and that individual's spirit and love are intertwined with the spirit and love of others. These emergent interrelationships, that transcend individuals embodied selves, foster a sense of oneness. These interrelationships can work in harmony to make this a better and more compassionate world for all beings. We must stroll with our kin and not leave them in our tumultuous wake of rampant, self-serving destruction.

It is essential that we do better than our ancestors and we surely have the resources to do so. Perhaps the biggest question of all is whether enough of us will choose to make the heartfelt commitment to making this a better world, a more compassionate world in which love is plentiful and shared, before it is too late. I believe we have already embarked on this pilgrimage. My optimism leads me in no other direction.

It's also okay to be sentimental and to go from the heart. We need to empathize with the beings who are harmed for unnecessary food and those who suffer in other human venues. We must blend together science sense with common sense, compassion, and heart in our efforts to provide the best welfare to all animals all of the time. The animals must come first.

I'm ashamed at how humans abuse animals. I am sure future generations will look back on us with shock and horror about our treatment of other animal beings and wonder how we missed the obvious about animal emotions and how much harm and suffering we brought to billions up billions of individuals. How could we ever do the things that we did to individuals who clearly were suffering at our hands for our, and not their, benefit? How could we ever allow so many individual beings to suffer horrific pain just so that we could eat them? I just don't know. I just don't know.

"In the name of food"

These comments come from my heart, and while they could be cleaned up I wanted to let them flow, just as the emotions flow from the innumerable animal beings who live horrific lives "in the name of food.". I apologize to each and every individual and hope that I and my colleagues can make a difference in their lives and all of the animals who find themselves being maimed and killed "in the name of food", and who see and hear and smell their families and friends also suffering "in the name of food". Shame on those who bring so much pain and suffering to countless animals, too many to count. Shame on you.

Marc Bekoff
in UTOPIA TODAY - REALITY TOMORROW: A vegetarian world

13 de abril de 2007

Porcos e Cães

O facto de à menor oportunidade os porcos se tornarem amigáveis com os seres humanos tem qualquer coisa de milagroso, se tivermos em conta a forma como invariavelmente os tratamos. Talvez os próprios porcos tenham consciência da semelhança entre nós e por essa razão nos considerem mais como primos que como membros de uma espécie completamente diferente. Ao contrário do que acontece com os cães, não parece haver um período crítico ao fim do qual os porcos já não possam ser socializados. Se forem tratados com afecto, mesmo os porcos adultos podem tornar-se tão amigáveis como qualquer cão que viva com uma família desde pequeno. Isto mostra capacidade de entrega e uma grande flexibilidade por parte dos porcos. A única grande diferença entre os porcos e os cães está na maneira como os tratamos. Com os cães brincamos, levamo-los a passear e rebolamos na relva. Raramente fazemos o mesmo com os porcos.

[...]

As pessoas que vivem com porcos falam muitas vezes deles como as outras pessoas falam dos cães - consideram-nos inteligentes, leais, e acima de tudo afectuosos. Cada porco, repetem as pessoas que os conhecem bem, é um indivíduo completo, diferente de qualquer outro porco.

Jeffrey Moussaieff Masson
in O Porquinho que Cantava à Lua, 2005

11 de abril de 2007

Compassion in World Farming

CIWF Trust works internationally to prevent cruelty and promote respect for farmed animals and the environment.

The basis of all CIWF's Trust work is the recognition of farm animals as sentient beings. Animals are capable of feeling pain and suffering, experiencing sensations and emotions. When farming practices provide them the right environment and conditions they can enjoy their lives. We also work to raise awareness of the detrimental impact of intensive animal farming on the environment, on human health and food security, and on scarce natural resources.

We produce educational resources and a speaker service for schools, colleges and the general public.

We also produce information resources for the public, students and teachers, including referenced reports, factsheets and briefings.

We organise educational and public interest events such as conferences, seminars, debates and exhibitions. We co-operate with individuals and organisations internationally.

26 de março de 2007

Triunfo dos Porcos


O Triunfo dos Porcos, o clássico de George Orwell, é normalmente considerado uma fábula acerca do totalitarismo e da Rússia. Tanto os críticos literários como os leitores comuns parecem ver a intriga com os animais como um mero pretexto e motor da história. Orwell, no entanto, via-a a uma outra luz e explicou num prefácio escrito para a tradução ucraniana que a história lhe ocorreu quando viu um rapaz com talvez 10 anos de idade maltratar um cavalo. Foi surpreendido com a força da revelação «de que os homens exploram os animais de uma forma muito semelhante à forma como os ricos exploram o proletariado». Explicou ainda que andou com as ideias de Marx à volta na cabeça: «Procedi à análise da teoria de Marx do ponto de vista dos animais. Para eles, era claro que o conceito de luta de classes entre os seres humanos era uma ilusão pura, uma vez que, sempre que era necessário explorar os animais, todos os seres humanos se uniam contra eles: a verdadeira luta é a que acontece entre os animais e os seres humanos». Embora o itálico seja meu, tudo nos sugere que Orwell estava de facto convicto do que afirmou. De facto, no início do livro, Orwell faz dizer o seguinte aos animais da quinta: «Nenhum animal de Inglaterra conhece o significado da felicidade ou do lazer a partir da altura em que completa o primeiro ano de idade. Nenhum animal de Inglaterra é livre. A vida de qualquer animal é miséria e escravidão: esta é a pura verdade.» Não se tratará de um eco deliberado da famosa afirmação de Jean-Jacques Rousseau, de que o homem nasce livre, mas por toda a parte o encontramos escravizado?

O filósofo Stephen Clark observou uma vez que a escravidão humana apenas começou com a agricultura. Os caçadores-recolectores não faziam escravos, da mesma forma que não se envolviam frequentemente em guerras, uma vez que sem propriedade não havia muito por que lutar. Foram a agricultura e a domesticação dos animais, com o seu sentido inato das coisas que pertencem a umas pessoas, mas não a outras, que determinaram a força crescente da importância social e o início da guerra.

A comparação entre a escravatura e a domesticação de animais não é nova. Tal como muitas outras atitudes ocidentais, pode ser encontrada em Aristóteles, que escreveu na Política:

Para todos os animais domésticos há vantagens em estarem sob o domínio humano, uma vez que isso assegura a sua sobrevivência [...] Por analogia, isto aplica-se necessariamente também ao género humano como um todo [...] estas pessoas são escravas por natureza, e é preferível para elas estarem sujeitas a este tipo de domínio, da mesma forma que é preferível para as outras criaturas a que me referi.

A guerra e a caça, continua Aristóteles, são parte desta filosofia e ambos devem ser usados contra os animais e «aqueles homens de cuja natureza faz parte o serem governados por outros». Estas leis parecem muito favoráveis aos homens da classe de Aristóteles. As atitudes deste tipo morrem de uma morte muito lenta.

Jeffrey Moussaieff Masson
in O Porquinho que Cantava à Lua, 2005

20 de março de 2007

Testes em Animais - Marcas e Empresas

Vivissecção e Experimentação Animal


A vivissecção consiste na dissecação de animais VIVOS para estudos. A experimentação com animais expõe muitos e diversificados animais (desde macacos e ratos, passando por cães e gatos) a substâncias químicas, geralmente sem anestésicos, podendo ou não envolver o acto da vivissecção.

Estima-se que, anualmente, pelo menos mais de cem milhões de animais sofram em experimentações laboratoriais em todo o mundo, sendo que pelo menos 10-11 milhões são utilizados na União Europeia. Os animais são usados em muitos tipos diferentes de experiências, sendo que todas as experiências causam dor e sofrimento. Muitos dos animais envolvidos morrem em resultado da experiência ou são mortos para examinação post-mortem. Nos laboratórios, um animal pode ser envenenado; ser privado de alimento, água ou sono; ser submetido a substâncias irritantes para pele e olhos; ser sujeito a pressão psicológica; ser deliberadamente infectado com doenças; ver-lhe incutidos danos cerebrais; ficar paralisado; ser mutilado cirurgicamente; ser sujeito a radiações e queimado; ser sujeito a gases nocivos; ser alimentado à força e electrocutado...

Investigadores de todo o mundo usam animais para testar ou desenvolver praticamente tudo, desde produtos domésticos, cosméticos e aditivos alimentares, passando por produtos farmacêuticos, químicos industriais, agroquímicos, alimento para animais de companhia, dispositivos médicos, novas técnicas cirúrgicas, tabaco e produtos alcoólicos. As experiências de engenharia genética submetem os animais a uma enormidade de formas de deformidade física, bem como formas mais subtis de sofrimento. As experiências militares sujeitam os animais aos efeitos de gás venenoso, a descargas de armas tradicionais, a doenças de descompressão, queimaduras ou radiação...

As experiências com animais revelam-nos informações sobre os animais, não sobre as pessoas. Os resultados dos estudos com animais nunca podem garantir a segurança ou eficácia de medicamentos humanos ou outros produtos, pois existem diferenças biológicas, anatómicas e bioquímicas fundamentais entre as espécies. Diferentes espécies podem ter respostas completamente contraditórias a uma variedade de substâncias, e só quando uma substância é experimentada em testes clínicos com humanos é que sabemos realmente se é segura para utilização. O perigo de nos basearmos nos estudos com animais é ilustrado pela longa lista de medicamentos testados em animais que foram retirados do mercado ou cuja utilização foi restringida por terem originado efeitos secundários inesperados em pacientes humanos.

Mas, acima de tudo, sujeitar deliberadamente os animais a danos físicos e psicológicos em experiências laboratoriais é cruel e moralmente injustificável. As experiências com animais são horríficas. A indústria de pesquisa animal é responsável por infligir deliberadamente dor, sofrimento, angústia, doença e morte de milhares de milhões de animais todos os anos e em todo o mundo. Pela sua natureza peculiar, trata-se de uma indústria que permanece fechada ao escrutínio público. Opera em segredo e com portas fechadas...

18 de março de 2007

Suspeita de Envenenamento - o que fazer?

No caso de encontrar um animal com suspeita de envenenamento, deve:

1. Contactar imediatamente as autoridades
- SEPNA/GNR Central (Lisboa): 21 750 30 80 (E-mail: csepna@gnr.pt)
- SOS Ambiente: 808 200 520

2. Os cadáveres e amostras devem ser recolhidos APENAS pelas autoridades.

3. As autoridades recolhem os cadáveres e amostras, e devem entregar todo o material ao cuidado de 1 Médico Veterinário, com o respectivo termo de entrega.

4. O Médico Veterinário deve realizar a necrópsia de forma completa e emitir um relatório.

5. O Médico Veterinário deve enviar as amostras perfeitamente acondicionadas para o Laboratório Nacional de Investigação Veterinária (Porto ou Lisboa)

a.Caso o proprietário (ou alguém) queira e possa pagar as análises, deve ser feita a requisição nesse sentido, indicando sempre o tipo de tóxicos suspeitos (ex: Estricnina, Organofosforados, Carbamatos, Organoclorados, Rodenticidas, etc...), em função das lesões observadas na Necrópsia. Deve ser enviada a maior quantidade possível de amostras.
b. Mesmo quando não haja disponibilidade imediata de pagamento das análises, as amostras devem permanecer congeladas na posse do Médico Veterinário ou com as Autoridades, pois poderão ser requisitadas durante o processo judicial.

MUITO IMPORTANTE:
Apresentar SEMPRE uma queixa na GNR local, para garantir que o processo tem início.

Para esclarecimento de dúvidas, por favor, contacte os coordenadores do Programa Antídoto - Portugal

Programa Antídoto – Portugal

Os tóxicos são uma ameaça à Saúde Pública e à Biodiversidade. O uso ilegal de iscos envenenados e a falta de controlo sobre a venda e a utilização de muitas substâncias tóxicas comercializadas legalmente no mercado são duas situações com sérias repercussões na fauna, em particular nas espécies silvestres, muitas delas seriamente ameaçadas por este problema.

O Programa Antídoto – Portugal é uma plataforma contra o uso ilegal de venenos, constituída por várias entidades públicas e privadas portuguesas e que teve início oficial a 4 de Março de 2004. Este programa pretende combater as diversas formas de utilização indevida de substâncias tóxicas e contribuir para um melhor conhecimento sobre as consequências que essas práticas representam para a fauna silvestre.

16 de março de 2007

Circos SIM. Mas sem animais não humanos!

Em Portugal algumas dezenas de companhias circenses continuam a utilizar animais não-humanos em diversos "espectáculos" de circo realizados um pouco por todo o país. Os animais utilizados nessas actuações encontram-se sujeitos a condições verdadeiramente miseráveis e treinos altamente agressivos, que recorrem muitas vezes a instrumentos e métodos de tortura e punição. Encontram-se confinados a jaulas exíguas, sujas e são expostos para curiosidade das multidões, sem qualquer respeito pela sua Natureza, personalidade ou características biológicas. São um péssimo e degradante "espectáculo" educacional, dado que na Natureza os animais simplesmente vivem a sua vida, não representam "palhaçadas" improvisadas para entretenimento humano.

Os circos que utilizam animais representam pois um enorme atentado ao mais elementar bem estar animal e são um tremendo obstáculo ao desenvolvimento civilizacional da nossa sociedade.

11 de março de 2007

Ridículo

Já tive oportunidade de observar que quando, no meio de algum jantar para que fui convidado, digo a alguém que ando a escrever um livro acerca das vidas emocionais dos animais de criação, as pessoas me lançam um olhar estranho, como se eu tivesse dito uma coisa um pouco ridícula. Logo a seguir espetam as facas e os garfos no seu borrego, porco ou galinha, aparentemente nada curiosas acerca das vidas dos animais que estão a comer ao jantar.

Ora não se trata do que estamos a comer, mas sim de quem estamos a comer - pelo menos é o que me apetece dizer. Será que a questão do sofrimento a uma escala tão vasta merece ser objecto de troça?

Jeffrey Moussaieff Masson
in O Porquinho que Cantava à Lua, 2005

6 de março de 2007

Vida Boa

Estou convencido de que não é correcto criar animais para a alimentação humana. Estou convencido de que ninguém se preocupa com dar uma «vida boa» a um animal criado com o único objectivo de o servir à mesa. É demasiado fácil fazer batota, demasiado tentador não procurar descobrir o que pode contribuir para fazer uma vida boa para qualquer animal particular. Adequada, tolerável, suportável: trata-se de adjectivos que gostamos de aplicar às condições em que os animais vivem. Trata-se sem a menor dúvida de adjectivos que não gostaríamos de ter de aplicar às nossas próprias condições de vida.

Jeffrey Moussaieff Masson
in O Porquinho que Cantava à Lua, 2005

1 de março de 2007

Einstein

Although I have been prevented by outward circumstances from observing a strictly vegetarian diet, I have long been an adherent to the cause in principle. Besides agreeing with the aims of vegetarianism for aesthetic and moral reasons, it is my view that a vegetarian manner of living by its purely physical effect on the human temperament would most beneficially influence the lot of mankind.

28 de fevereiro de 2007

Boicote

As pessoas que lucram com a exploração de grandes quantidades de animais não precisam da nossa aprovação. Precisam do nosso dinheiro. A aquisição dos cadáveres dos animais que criam é o principal apoio que os produtores pedem às pessoas em geral (o outro, em muitos países, é a atribuição de consideráveis subsídios por parte do governo). Os produtores utilizarão métodos intensivos enquanto conseguirem vender o produto destes métodos: terão recursos para combater politicamente as reformas e poderão defender-se das críticas com a afirmação de que se limitam a dar às pessoas aquilo que elas querem.

(...)

É neste ponto que as consequências do especismo interferem directamente nas nossas vidas e somos forçados a provar pessoalmente a sinceridade da nossa preocupação relativamente aos animais não humanos. Temos, a este respeito, a oportunidade de fazer algo, em vez de simplesmente falar e desejar que os políticos façam algo. É fácil tomar posição acerca de uma questão remota, mas os especistas, como os racistas, revelam a sua verdadeira natureza quando a questão se torna mais próxima.

Peter Singer
in Libertação Animal, 1990

27 de fevereiro de 2007

Especismo

Os racistas violam o princípio da igualdade, atribuindo maior peso aos interesses dos membros da sua própria raça quando existe um conflito entre os seus interesses e os interesses daqueles pertencentes a outra raça. Os sexistas violam o princípio da igualdade ao favorecerem os interesses do seu próprio sexo. Da mesma forma, os especistas permitem que os interesses da sua própria espécie dominem os interesses maiores dos membros das outras espécies. O padrão é, em cada caso, idêntico.

Peter Singer
in Libertação Animal, 1990

26 de fevereiro de 2007

Criação de Animais como Alimento

Do ponto de vista prático, não é possível criar animais como alimento, em grande escala, sem lhes inflingir um sofrimento considerável. Mesmo que não fossem utilizados métodos intensivos, teríamos a criação animal tradicional que envolve castração, separação da mãe e da cria, ruptura de grupos sociais, marcação a ferro, transporte para o matadouro e, finalmente, o próprio abate. É difícil imaginar um modo como os animais poderiam ser criados para servirem de alimento sem estas formas de sofrimento. Talvez pudesse ser feito em pequena escala, mas nunca conseguiríamos alimentar as enormes populações urbanas actuais com carne obtida desta forma. Se isso fosse de algum modo possível, a carne do animal assim criado seria muito mais cara do que a carne o é actualmente - e a criação de animais é já um modo dispendioso e ineficiente de produção de proteínas. A carne dos animais criados e mortos em obediência ao princípio da igual consideração do bem-estar dos animais seria uma iguaria apenas acessível aos ricos.

Peter Singer
in Libertação Animal, 1990

Nutrição - dúvidas frequentes

Por que razão há pessoas que adoecem ao tornar-se vegetarianas?
Porque se tornam vegetarianas sem estarem devidamente informadas sobre como ter uma dieta vegetariana equilibrada. Deve procurar-se esta informação junto de um dietista ou nutricionista que conheça os diversos aspectos da nutrição vegetariana e que procure compreender as suas motivações pessoais para esta mudança e recomendar-lhe uma dieta adequada a si e às suas necessidades. As pessoas não são todas iguais e, apesar das necessidades nutricionais serem basicamente as mesmas entre todos os humanos, estas variam, ainda assim, de indivíduo para indivíduo. Contudo, seguir uma dieta vegetariana é mais simples do que possa pensar – como este site pretende demonstrar.

Como devo fazer, então?
A melhoria na saúde que advém de uma dieta vegetariana está dependente de uma alimentação variada, equilibrada e adequada, rica em alimentos de origem vegetal enriquecidos em ferro, cálcio, zinco, vitamina B12 e Omega-3, e também da prática regular de actividade física – de preferência ao ar livre, para sintetizar a tão importante vitamina D. Não hesite em contactar-nos, através de SejaVegetariano@animal.org.pt, para obter um acompanhamento nosso mais personalizado.

A proteína animal não faz mesmo falta?
Não, pelo contrário. O nosso organismo sintetiza proteínas através de aminoácidos, que, por sua vez, têm origem nas proteínas que ingerimos através da alimentação. Uma dieta vegetariana com bastante variedade, incluindo feijões, lentilhas, grãos e vegetais em geral, fornece-nos todos os aminoácidos necessários. Os regimes vegetarianos podem contribuir com todos os aminoácidos essenciais, desde que o regime seja abundante e variado. A quantidade total de proteína necessária está, portanto, relacionada com a constituição das diferentes fracções ingeridas. Ao contrário do que se pensava, para que seja aproveitado todo o potencial proteico destes alimentos, não é obrigatória uma combinação destes na mesma refeição, mas sim a sua ingestão ao longo do dia. Não se deve, no entanto, esquecer que a dose energética diária (quilocalorias ingeridas diariamente) deve ser adequada, para que o nosso organismo possa aproveitar todo o potencial proteico deste tipo de alimentos. A alimentação livre de proteína animal é, por tudo isto, considerada eficiente do ponto de vista proteico, sendo perfeitamente dispensáveis todos os alimentos de origem animal.

E o cálcio? Existe só no leite?
Não. Poderá encontrar cálcio em alimentos como os citrinos, o pão, a couve e outros vegetais de folhas verde-escuras, os figos, as amêndoas, e todos os alimentos enriquecidos com cálcio, como o leite e os iogurtes de soja e os comuns cereais de pequeno-almoço. Para potencializar a absorção do cálcio fornecido pelos alimentos de origem vegetal, basta ingerir, numa mesma refeição, alimentos de origem vegetal ricos em ferro e vitamina C e alimentos vegetais fornecedores de cálcio. Esta combinação torna mais eficaz a assimilação do cálcio. O cálcio é um dos principais constituintes da estrutura óssea e do esmalte dos dentes. Tem um papel importante na interacção com várias hormonas, responsáveis pelo controlo da absorção e da excreção deste mineral, bem como no metabolismo ósseo. Sabe-se que a presença de proteínas animais na alimentação contribui para a modificação da concentração de cálcio no sangue, ou seja, o consumo deste tipo de proteínas, por terem um teor em enxofre mais elevado do que a proteína vegetal, conduz ao aumento da produção de ácidos metabólicos que acidificam o sangue. Para o neutralizar, ocorre a perda de cálcio ósseo. Na maior parte dos casos, quem ingere mais cálcio é também quem ingere mais proteínas de origem animal (nomeadamente através do leite), e, por isso, apresenta valores tão elevados de perda de cálcio.

E o ferro? Está presente nas dietas vegetarianas?
Sim, o ferro encontra-se numa dieta vegetariana. O ferro encontrado nos alimentos pode existir sob duas formas: hémico e não-hémico. O primeiro encontra-se em produtos animais, como as vísceras (fígado), a carne, incluindo a carne de peixe (e marisco), e os ovos, e o segundo encontra-se nos legumes de folha verde, nos damascos, ervilhas, feijões, frutos secos e cereais enriquecidos. A grande diferença entre estes dois tipos de ferro está na forma como cada um deles é absorvido: o ferro hémico é absorvido em cerca de 15 a 35%; o ferro não-hémico é absorvido numa proporção de cerca de 2% a 20%. A absorção é influenciada por factores nutricionais, uma vez que alguns alimentos e bebidas bloqueiam a sua absorção quando consumidos nas mesmas refeições. Assim, os componentes de uma refeição podem ter efeito tanto no aumento como na diminuição da absorção do ferro não-hémico. Ingerir alimentos ricos em vitamina C facilita e aumenta a absorção do ferro não-hémico.
Quanto aos factores que diminuem a absorção do ferro não-hémico, são:
- A ingestão de bebidas que contêm taninos, como os chás preto e verde e o café. Devem-se evitar à refeição ou juntamente com alimentos ricos em ferro, uma vez que o tanino, combinado com o ferro, forma um composto insolúvel, não sendo absorvido.
- A ingestão de alimentos ricos em oxalatos, como é o caso do chocolate e dos espinafres.

E a vitamina B12? Está só presente em produtos de origem animal, certo?
Errado. Embora sintetizada por bactérias, a vitamina B12 encontra-se maioritariamente em tecidos animais. No entanto, pode ser também encontrada em pequenas quantidades nos produtos vegetais fermentados onde é produzida por bactérias do tipo lactobacilos e coliformes. Alguns mamíferos herbívoros têm microrganismos no seu intestino que produzem esta vitamina. No caso dos humanos, através de um certo tipo de bactérias (colibacilos) existentes no intestino, faz-se a síntese de uma parte importante desta vitamina, mas, por razões de absorção insuficiente, as necessidades humanas só são completamente satisfeitas pela vitamina B12 que se encontra incluída nos alimentos. A ausência de vitamina B12 activa na alimentação diária conduz a estados de carência graves, caracterizados por sintomas relacionados com a anemia e problemas do sistema nervoso, nomeadamente perda de energia, redução da sensibilidade à dor ou ao toque, dormência, visão desfocada, perda de memória, confusão mental, alucinações e alterações de personalidade. Estes sintomas desenvolvem-se ao longo de vários meses, podendo durar anos até que seja diagnosticada a carência desta vitamina. Para ter a certeza de que consome a Dose Diária Recomendada (DDR) de 3 microgramas (Xg) por dia desta vitamina, basta consultar as tabelas de informação nutricional apresentadas nos rótulos dos alimentos consumidos. De forma a controlar os níveis de vitamina B12 no organismo, os vegetarianos devem fazer testes anuais referentes a esta vitamina, tendo sempre o cuidado de referir o tipo de dieta praticada, pois os testes relativos aos níveis sanguíneos de B12 não são adequados para vegetarianos, visto que estes podem ser facilmente mal interpretados devido não só ao consumo de moléculas análogas (semelhantes) e inactivas desta vitamina, mas também devido à ingestão elevada de folatos (característica da dieta vegetariana), camuflando os sintomas de anemia provocada pela deficiência de B12. Alguns alimentos que são fontes de B12 são a levedura de cerveja (se for enriquecida) e alguns alimentos enriquecidos, como o leite de soja ou os cereais de pequeno almoço (apenas se forem de facto enriquecidos).

E quanto à vitamina D?
Os vegetarianos podem conseguir uma boa dose de vitamina D através da exposição diária ao sol, durante a Primavera, Verão e Outono; no Inverno, através do consumo de alimentos enriquecidos, como os cereais de pequeno-almoço e o leite de soja, entre outros. A vitamina D é uma vitamina solúvel em gordura (lipossolúvel) que pode actuar como uma hormona regulando a formação do tecido ósseo e a absorção de cálcio e fósforo através do intestino. Pode ser facilmente conseguida a partir da exposição da pele ao sol diariamente. Sabe-se que cerca de 80% a 100% da vitamina D utilizada pelo organismo é sintetizada através da incidência do sol na pele. Pessoas com pele escura ou que vivam em latitudes elevadas, ou cuja tradição e cultura obriguem a que o corpo esteja completamente tapado por roupas (países islâmicos), têm mais dificuldade na síntese desta vitamina, pelo que, nestes casos, é aconselhável o consumo de alimentos enriquecidos com vitamina D. Estes produtos devem também fazer parte da dieta diária de indivíduos vegetarianos que habitem em elevadas latitudes e mulheres vegetarianas grávidas ou que estejam a amamentar.

E a vitamina A?
Esta vitamina é frequentemente encontrada em alimentos de origem animal. Contudo, existem alguns compostos relacionados com as vitaminas que podem ser convertidos em vitamina activa dentro do organismo. A estes compostos chamam-se próvitaminas, e o B-caroteno (beta-caroteno) é um exemplo destas. Quando em excesso, esta vitamina é armazenada no organismo, podendo vir a atingir níveis tóxicos. O consumo de B-caroteno é uma opção que previne a acumulação excessiva desta vitamina, pois pode ser consumido em doses elevadas sem que haja acumulação prejudicial ao organismo. O B-caroteno pode ser encontrado em alimentos como vegetais e legumes amarelos ou laranja, folhas de vegetais ou frutos como o pêssego e a manga. Para a eficaz absorção desta vitamina, basta acrescentar pequenas quantidades de gordura (preferencialmente, azeite, que é uma gordura vegetal e é uma das mais saudáveis) na confecção dos alimentos. Esta vitamina tem um papel muito importante na formação dos ossos, para manter em bom estado a visão, pele e cabelos e no processo de crescimento. A sua deficiência leva a visão deficiente à noite, sensibilidade à luz, redução do olfacto e do paladar e a pele e mucosas secas e com frequentes infecções.

E iodo?
A inclusão de alimentos como o feijão de soja, tapioca, batatas-doces, cereais como maize, millet e algas como nori e kombu, numa dieta vegetariana, é uma preciosa ajuda na obtenção das quantidades mínimas diárias de iodo. O iodo é essencial para o bom funcionamento da glândula da tiróide, responsável pela produção das hormonas tiroxina e triodotironina, que, por sua vez, actuam no crescimento físico e neurológico e na manutenção do fluxo normal de energia (metabolismo basal). São também muito importantes para o funcionamento do coração, fígado, rins e ovários.

E os ácidos gordos Omega-3 e Omega-6, estão presentes nas dietas vegetarianas?
De maneira geral, as dietas vegetarianas são ricas em ácidos gordos Omega-6, pois são facilmente encontrados em nozes, milho, sementes, soja e óleos vegetais, não sendo, por isso, frequente a carência deste tipo de gordura em vegetarianos. Os ácidos gordos Omega-6 podem ajudar a reduzir os níveis de colesterol LDL e do colesterol total. Os Omega-3 não são tão frequentemente encontrados numa dieta vegetariana. Sendo estas duas substâncias de uma importância fulcral em diversos processos do organismo, é essencial evitar a sua carência, ingerindo nozes, óleos vegetais, tofu, feijão de soja, algas e sementes de linhaça. Embora a maioria das pessoas ache que deve eliminar as gorduras da alimentação, a verdade é que nem todas as gorduras devem ser eliminadas. Alguns tipos de gordura, como os ácidos gordos polinsaturados Omega-6 e Omega-3, são essenciais para a saúde. Mulheres vegetarianas grávidas ou em período de amamentação devem aumentar o consumo de alimentos fornecedores de Omega-3.

O zinco também se encontra nas dietas vegetarianas?
Embora o zinco não exista em grandes quantidades em alimentos de origem vegetal, a maioria dos vegetarianos consegue manter os níveis de zinco dentro dos valores ideais, pois está presente em legumes, avelãs, milho, ervilhas, lentilhas, amendoins, manteiga de amendoim, sementes de abóbora e girassol e cereais de pequeno-almoço enriquecidos com zinco. Deve ingerir alimentos que sejam ricos em proteínas e simultaneamente em zinco, pois as primeiras contribuem para o aumento da absorção intestinal de zinco. Legumes, frutos oleoginosos, tempeh e miso são boas opções. O zinco é um mineral com importantes funções no crescimento e divisão celular, na síntese de proteínas e ADN, e no metabolismo dos hidratos de carbono, lípidos e proteínas. Tem um papel importante na cicatrização, na manutenção do bom estado da pele e do sistema imunológico, e é um componente vital de várias reacções enzimáticas. Os primeiros sintomas da carência de zinco incluem atraso no crescimento e na maturação sexual em crianças. Nos adultos, os sintomas de falta de zinco são: fraca cicatrização, queda de cabelo, problemas imunológicos e infecções cutâneas (especialmente à volta de orifícios corporais). Mulheres vegetarianas grávidas ou que estejam em período de amamentação devem incluir na sua alimentação maiores quantidades de alimentos ricos em zinco.

22 de fevereiro de 2007

Receitas Vegetarianas

Porquê o Vegetarianismo? ><2><

Porquê o Vegetarianismo?
O Que é o Vegetarianismo?
Não São os Humanos Omnívoros? É Saudável Ser-se Vegetariano?
Que Diferença Faz Mais Um Vegetariano? Os Mesmos Animais Vão Continuar a Ser Criados e Abatidos Para Consumo!
As Plantas Também São Seres Vivos e Também Sofrem! Logo, Também É Errado Comê-las.
Se os Animais Se Comem Uns aos Outros, o Que Há de Errado Em Que Nós os Comamos a Eles?
Não Estão os Humanos no Topo da Cadeia Alimentar?
Os Argumentos a Favor do Vegetarianismo São Bons. No Entanto, o Vegetarianismo Parece-me Demasiado Radical.
Se Fôssemos Todos Vegetarianos, Não Seria o Fim dos Animais Usados Para Consumo?
O Vegetarianismo é Bom Para Quem Não Gosta de Carne. Eu Acho Que Nunca Seria Capaz...
Não Deveríamos Nós Pedir Um Abate Mais Humano Em Vez de Defender o Vegetarianismo?
Por Que Não Há Mais Vegetarianos? Quais São os Principais Obstáculos ao Vegetarianismo?
É Mais Recomendável Ser Vegano ou Vegetariano?
Por Que Motivo os Vegetarianos Querem Converter à Força os Não-vegetarianos?

Porquê o Vegetarianismo? ><1><

Porque é que defendem o vegetarianismo?
Existindo uma alternativa saudável e saborosa, preferimos evitar o sofrimento, exploração e morte de animais que sentem e sofrem tal como os humanos, excluindo-os da nossa alimentação.

Os animais não sofrem!
Os humanos, que também são animais, rejeitam ser explorados ou mortos porque preferem viver uma vida sem sofrimento. São dotados da capacidade de sofrer porque possuem um sistema nervoso central, que lhes permite compreender que uma situação, como ser explorado ou morto, é indesejada. Só através do medo e violência se consegue obrigar um humano a fazer algo que este não deseja. Os animais usados na alimentação possuem também a capacidade de sofrer porque possuem um sistema nervoso central, tal como os humanos. São capazes de criar laços afectivos, sentir alegria, ansiedade e dor. Os animais sentem mais do que possamos pensar inicialmente.

Como é que podemos ter a certeza que os animais sofrem?
O sofrimento é um estado de consciência e por isso nunca pode ser observado. Podemos apenas inferi-lo a partir de sinais exteriores. Quando vemos alguém a magoar-se, inferimos que essa pessoa se magoou pelas suas expressões faciais, movimentos corporais e por gemidos. Quase todos os sinais exteriores de sofrimento, que nos levam a concluir que os outros humanos sofrem como nós, podem também ser observados noutras espécies, especialmente mamíferos e aves. Estes sinais incluem contorção do corpo e da face, gemidos, uivos ou outras formas de chamamento, tentativas de evitar a fonte de dor, aparência de ter medo na possibilidade da sua repetição, entre outros. Para além disso quando um animal sente dor existe um aumento inicial da pressão sanguínea, dilatação das pupilas, perspiração, aumento do ritmo cardíaco e, se o estímulo se mantiver, uma redução da pressão sanguínea, tal e qual como nos humanos. Embora os humanos possuam um córtex cerebral mais desenvolvido do que os outros animais, esta zona é responsável por funções como o raciocínio e não por impulsos básicos, emoções ou sentimentos. A zona responsável por estas funções mais primárias é o diencéfalo e este está bem desenvolvido em todos os mamíferos e aves.

Então também não comem peixes/moluscos/caracóis?
Eles não sofrem tanto. É difícil estabelecer uma fronteira exacta entre os animais que têm auto-consciência e desejo de não morrer e os animais que têm uma capacidade rudimentar e simples de percepção e resposta a estímulos. Da mesma forma, é difícil precisar, por exemplo, a partir de que altura é que uma pessoa é alta ou a partir de que idade uma pessoa é idosa. Mesmo assim, sendo os peixes/moluscos/caracóis animais que apresentam uma maior simplicidade ao nível do sistema nervoso, não significa que estes possam ser explorados e mortos unicamente para servir a fome dos humanos, quando estes possuem formas alternativas de se alimentarem. Vários estudos científicos provam que, por exemplo, os peixes são também capazes de sentir dor e apresentam uma complexa capacidade de reagir a ela, tal como os humanos.

Os animais são criados para os comermos!
O facto de um animal ser criado com um certo objectivo não altera a sua capacidade biológica de sentir sofrimento e de desejar não morrer. Este sentimento é igual nos humanos e faz com que qualquer pessoa não tenha o direito de explorar e matar outros humanos. Logo, o conceito de criar e matar animais para consumo humano é eticamente reprovável.

E as plantas… não sofrem?
Não, as plantas não sofrem nem possuem a capacidade de criar expectativas, nem de desejar não morrer. Elas não possuem qualquer centro de organização de informação (o cérebro) como os animais. As plantas são capazes de responder a certos estímulos exteriores, que podem levar a alterações no seu desenvolvimento ou crescimento e possuem também um sistema hormonal complexo mas, até hoje, nunca foi encontrada qualquer prova cientificamente válida de que elas sofram.

Será que elas sentem e ninguém ainda o descobriu?
É improvável mas talvez possível. Pelo menos, por enquanto, devemos pensar naquilo que já sabemos, e o que se sabe é que os animais que comemos sentem e sofrem como os humanos.

Se os animais comem outros animais, porque é que eu não hei-de comer? É a lei da Natureza.
Ao contrário dos outros animais, os humanos, por serem animais racionais, conseguem criar novas alternativas e são capazes de escolher uma mudança de hábitos. Para isso basta-lhe ter uma boa razão para a mudança de hábitos, e a ética e o respeito pelos outros seres que habitam connosco este planeta é uma óptima razão. Um leão não consegue raciocinar sobre ética ou criar novas alternativas e por isso nunca chega a pôr a hipótese de poder alterar os seus hábitos.

Um animal irracional não tem direitos porque não tem deveres.
Mesmo que de um ponto de vista jurídico um animal não possua direitos, os humanos têm o dever moral de respeitar esse animal e de não explorar ou provocar sofrimento desnecessário, pois é um indivíduo que possui a capacidade de sentir dor e sofrimento, de criar laços afectivos e de ter o desejo de não morrer, tal como os humanos.

Os humanos são omnívoros e por isso têm de comer carne.
Os humanos de facto são omnívoros mas isso não nos obriga necessariamente a comer carne. Permite-nos, sim, escolher entre uma alimentação baseada em carne e peixe ou uma baseada maioritária ou exclusivamente em vegetais. Apenas para que compreenda que não somos “fisiologicamente obrigados” a comer carne, note nas diferenças que nos levam a ser mais aptos para uma alimentação vegetariana do que para uma baseada em carne: os animais carnívoros possuem garras, dentes caninos longos e ausência de molares posteriores, acidez do suco estomacal muito elevado e digestão rápida dos alimentos; por outro lado, os humanos e herbívoros não possuem garras, os seus caninos são minúsculos (nos humanos, estando melhor preparados para trincar fruta do que para rasgar a carne de um animal) ou inexistentes (herbívoros), possuem molares posteriores, o ácido do estômago é 20 vezes menos concentrado do que nos carnívoros e a digestão dos alimentos é relativamente lenta.

Eu prefiro comer animais de criação extensiva. Esses não são maltratados.
De facto, o conceito de criação extensiva pressupõe um menor sofrimento durante a criação dos animais. No entanto, estes animais possuem, tal como os humanos, a capacidade de sentir sofrimento, dor e angústia e não desejam ser explorados nem mortos para servir as necessidades de outro animal. Assim, em qualquer tipo de criação animal, o respeito para com os animais que possuem estes sentimentos é violado. Por outro lado, a criação extensiva também recorre aos mesmos métodos de transporte e morte no matadouro utilizados na criação intensiva, sendo os animais mortos em condições extremas, agonizando até ao seu último momento de vida. Em nenhum dos sistemas se pode dizer que o animal não sofre ou sofre pouco. Para que se coma o animal ele teve que morrer e para ele morrer teve de sofrer. Não existe um método indolor de matar animais. Mesmo que existisse, apesar de ser uma maneira mais "simpática", continuar-se-ia a explorar e a matar um animal com o único objectivo de saciar a sua fome, quando existem outras formas de o fazer sem causar sofrimento. A questão principal não deve ser: “como é que se pode diminuir o sofrimento?” mas sim “como é que se pode acabar com o sofrimento?”. A resposta está na vontade de cada um.

O que me preocupa é a fome/guerra/desemprego/trabalho infantil/abandono de animais de companhia/touradas/etc.... O vegetarianismo é pouco importante.
Estas questões são de facto muito importantes e cada pessoa deve fazer o máximo para que mudem. A grande diferença é que enquanto uma pessoa tem pouco ou nenhum poder para alterar a forma como certas coisas são feitas por outras pessoas, qualquer um de nós tem o poder de alterar o que está mais ao seu alcance – a sua alimentação. O vegetarianismo não impede nem se sobrepõe a outras causas justas que defenda.

Não é pelo facto de eu me tornar vegetariano/a que vá fazer alguma diferença.
O poder dos consumidores é um dos maiores que existe. Ao se recusar a comprar produtos de origem animal, leva a uma redução dos lucros de uma indústria que os obtem através da exploração e morte animal. Ao consumir produtos vegetarianos permite que estes estejam mais acessíveis para futuras gerações. Foi com o empenho inicial de apenas alguns vegetarianos que se conseguiu hoje criar uma enorme rede de lojas e restaurantes vegetarianos, ao passo que o consumo de carne tem vindo a diminuir nos países desenvolvidos.

Comer carne não é contra natura.
Sim, mas também não é isso que tentamos dizer. O que dizemos é que se existe uma alternativa vegetariana à ingestão de carne que é mais saudável, saborosa, ecologicamente mais responsável e que, principalmente, rejeita a exploração dos animais, então cada um de nós deve reflectir sobre as vantagens que esta alimentação tem e se a consegue implementar no seu dia-a-dia. Se conseguir fazê-lo estará a fazer bem a si, ao planeta e aos animais.

Os humanos estão no topo da cadeia alimentar. São predadores. Se deixarmos de comer carne o ecossistema deixa de funcionar.
Há muito tempo que esta cadeia foi manipulada/subvertida pela indústria da carne, de forma a produzir enormes quantidades de carne para toda a população, afastando-se a passos largos do que se entende por uma cadeia alimentar equilibrada. Os humanos não têm necessidade de comer carne e podem facilmente substitui-la por alimentos de origem vegetal. Com a enorme quantidade de recursos gastos e poluição produzida pela indústria da produção animal é que se vai aumentando diariamente o desequilíbrio entre a Natureza e o Homem.

Se nós não comermos os animais eles ficavam à solta.
Isso só seria possível se a partir de amanhã todas as pessoas se tornassem vegetarianas. Como esta mensagem não chega a todas as pessoas ao mesmo tempo, há uma diminuição gradual desta indústria o que leva a que nunca exista a necessidade de libertar os animais, mas sim de deixar de os criar e explorar.

A criação de carne alimenta uma indústria que dá emprego a muita gente.
Isso é verdade mas não seria a primeira vez que novos hábitos sociais mudariam a economia e, portanto, o emprego dos trabalhadores. Os postos de trabalho não iriam diminuir, apenas iriam ser substituídos. Qualquer ser humano tem uma grande capacidade de adaptação e muitas tarefas desaparecem frequentemente para dar lugar a outras. Por exemplo, o aparecimento dos automóveis levou a que os postos de trabalho para construtores de coches e criadores de cavalos diminuíssem acentuadamente, mas novos postos de trabalho foram criados para a contrução e manutenção de carros.

Se não comermos os animais, certas espécies extinguem-se.
E será eticamente correcto provocar sofrimento, explorar e matar animais de uma espécie com a justificação de evitar que a espécie se extinga?

É impossível sermos todos vegetarianos. Os esquimós, por exemplo, têm obrigatoriamente de se alimentar de animais.
O vegetarianismo parte do princípio de que se deve evitar, sempre que possível, a ingestão de animais. Se não for possível, tal como para os esquimós que não têm nenhuma outra fonte de nutrientes que não seja animal, então cada um, dentro das suas possibilidades, deve fazer o máximo para evitar o sofrimento animal. No entanto, cabe a cada um de nós a tarefa de criar as condições para que exista uma alternativa.

Uma alimentação vegetariana, como exclui a carne, tem menos diversidade do que uma alimentação com carne.
Pelo contrário. A alimentação vegetariana recorre a uma variedade de alimentos que não chegam a ser utilizados numa alimentação não-vegetariana. Se experimentar o vegetarianismo, vai reparar que existe uma variedade surpreendente de alimentos, que não conhecia ou não usava, e que podem ser cozinhados de mil e uma maneiras saborosas.

Se eu não comer carne não vou ingerir proteínas/ferro/calorias suficientes e posso ficar doente.
Se continuar a comer carne também pode ficar doente. Desde que faça uma alimentação equilibrada e diversificada não deverá ter problemas de carência de qualquer nutriente, pelo contrário, observará que a sua saúde melhora ou, no mínimo, mantém-se. Se continua com receio visite um nutricionista e diga-lhe que está a pensar tornar-se vegetariano/a. Assim não correrá nenhum risco.

Os vegetarianos não são pessoas pálidas e apáticas?
Não. Pessoas mal informadas e descuidadas na alimentação, por vezes movidas por motivos exclusivamente estéticos, optam pelo vegetarianismo, provocando-lhes problemas de saúde. Os vegetarianos são pessoas normais como você que simplesmente preferem ter uma alimentação livre de sofrimento e exploração. A sua saúde é o mais importante, mas não deve ser um obstáculo para que opte por uma alimentação livre de sofrimento, uma vez que se fizer uma transição gradual e informada, não deverá ter qualquer problema. Vários estudos imparciais já concluiram que o regime alimentar vegetariano é mais saudável do que um baseado no ingestão de carne.

Eu gosto de comer carne.
Já experimentou comer comida vegetariana? Se for bem preparada, consegue ser bem mais apetitosa e saciante que a carne, para além de não lhe deixar o peso na consciência por ter provocado morte e sofrimento num animal.

Mas o animal já está morto. Eu não matei nada, só comi.
Pode não ter morto, mas deu dinheiro para matar. Ao dar dinheiro por um animal ou parte dele está a criar um “efeito de prateleira”, ou seja, ao dar dinheiro pela carne está a retirar um produto e a deixar um lugar vago na prateleira. Com esse dinheiro o comerciante vai poder matar outro animal para substituir o que acabou de levar, preenchendo o lugar vazio. De facto o animal que come já não sofre mais, mas ao alimentar esse negócio, está a fazer com que outros animais sofram em seguida.

É muito difícil deixar a carne.
Já experimentou? Não custa muito. Experimente durante algumas semanas fazendo receitas que ache que vai gostar e procurando novos alimentos. Se começar gradualmente a eliminar produtos de origem animal custa menos e, desta forma, dará tempo para que o seu corpo se habitue à sua nova alimentação. Peça ajuda a outros vegetarianos e/ou a um nutricionista.

A alimentação vegetariana não é mais cara?
Não. É claro que existem produtos congelados e prontos-a-comer que são obviamente caros porque implicam um elevado nível de processamento e ainda porque geralmente são importados. Mas uma alimentação vegetariana sem estes pequenos luxos consegue ser, sem dúvida, mais económica.

O que é que eu como se me tornar vegetariano?
Existem várias alternativas e cada dia aparecem mais. Os substitutos da carne mais comuns são o seitan, tofu, e diversas leguminosas, embora a oferta em supermercados e lojas de produtos dietéticos tenha vindo a aumentar muito nos últimos anos. Pergunte em lojas de produtos naturais ou a outros vegetarianos, procure receitas na Internet ou improvise.