Porque é que defendem o vegetarianismo?
Existindo uma alternativa saudável e saborosa, preferimos evitar o sofrimento, exploração e morte de animais que sentem e sofrem tal como os humanos, excluindo-os da nossa alimentação.
Os animais não sofrem!Os humanos, que também são animais, rejeitam ser explorados ou mortos porque preferem viver uma vida sem sofrimento. São dotados da capacidade de sofrer porque possuem um sistema nervoso central, que lhes permite compreender que uma situação, como ser explorado ou morto, é indesejada. Só através do medo e violência se consegue obrigar um humano a fazer algo que este não deseja. Os animais usados na alimentação possuem também a capacidade de sofrer porque possuem um sistema nervoso central, tal como os humanos. São capazes de criar laços afectivos, sentir alegria, ansiedade e dor. Os animais sentem mais do que possamos pensar inicialmente.
Como é que podemos ter a certeza que os animais sofrem?
O sofrimento é um estado de consciência e por isso nunca pode ser observado. Podemos apenas inferi-lo a partir de sinais exteriores. Quando vemos alguém a magoar-se, inferimos que essa pessoa se magoou pelas suas expressões faciais, movimentos corporais e por gemidos. Quase todos os sinais exteriores de sofrimento, que nos levam a concluir que os outros humanos sofrem como nós, podem também ser observados noutras espécies, especialmente mamíferos e aves. Estes sinais incluem contorção do corpo e da face, gemidos, uivos ou outras formas de chamamento, tentativas de evitar a fonte de dor, aparência de ter medo na possibilidade da sua repetição, entre outros. Para além disso quando um animal sente dor existe um aumento inicial da pressão sanguínea, dilatação das pupilas, perspiração, aumento do ritmo cardíaco e, se o estímulo se mantiver, uma redução da pressão sanguínea, tal e qual como nos humanos. Embora os humanos possuam um córtex cerebral mais desenvolvido do que os outros animais, esta zona é responsável por funções como o raciocínio e não por impulsos básicos, emoções ou sentimentos. A zona responsável por estas funções mais primárias é o diencéfalo e este está bem desenvolvido em todos os mamíferos e aves.
Então também não comem peixes/moluscos/caracóis?Eles não sofrem tanto. É difícil estabelecer uma fronteira exacta entre os animais que têm auto-consciência e desejo de não morrer e os animais que têm uma capacidade rudimentar e simples de percepção e resposta a estímulos. Da mesma forma, é difícil precisar, por exemplo, a partir de que altura é que uma pessoa é alta ou a partir de que idade uma pessoa é idosa. Mesmo assim, sendo os peixes/moluscos/caracóis animais que apresentam uma maior simplicidade ao nível do sistema nervoso, não significa que estes possam ser explorados e mortos unicamente para servir a fome dos humanos, quando estes possuem formas alternativas de se alimentarem. Vários estudos científicos provam que, por exemplo, os peixes são também capazes de sentir dor e apresentam uma complexa capacidade de reagir a ela, tal como os humanos.
Os animais são criados para os comermos!
O facto de um animal ser criado com um certo objectivo não altera a sua capacidade biológica de sentir sofrimento e de desejar não morrer. Este sentimento é igual nos humanos e faz com que qualquer pessoa não tenha o direito de explorar e matar outros humanos. Logo, o conceito de criar e matar animais para consumo humano é eticamente reprovável.
E as plantas… não sofrem?
Não, as plantas não sofrem nem possuem a capacidade de criar expectativas, nem de desejar não morrer. Elas não possuem qualquer centro de organização de informação (o cérebro) como os animais. As plantas são capazes de responder a certos estímulos exteriores, que podem levar a alterações no seu desenvolvimento ou crescimento e possuem também um sistema hormonal complexo mas, até hoje, nunca foi encontrada qualquer prova cientificamente válida de que elas sofram.
Será que elas sentem e ninguém ainda o descobriu?É improvável mas talvez possível. Pelo menos, por enquanto, devemos pensar naquilo que já sabemos, e o que se sabe é que os animais que comemos sentem e sofrem como os humanos.
Se os animais comem outros animais, porque é que eu não hei-de comer? É a lei da Natureza.Ao contrário dos outros animais, os humanos, por serem animais racionais, conseguem criar novas alternativas e são capazes de escolher uma mudança de hábitos. Para isso basta-lhe ter uma boa razão para a mudança de hábitos, e a ética e o respeito pelos outros seres que habitam connosco este planeta é uma óptima razão. Um leão não consegue raciocinar sobre ética ou criar novas alternativas e por isso nunca chega a pôr a hipótese de poder alterar os seus hábitos.
Um animal irracional não tem direitos porque não tem deveres.Mesmo que de um ponto de vista jurídico um animal não possua direitos, os humanos têm o dever moral de respeitar esse animal e de não explorar ou provocar sofrimento desnecessário, pois é um indivíduo que possui a capacidade de sentir dor e sofrimento, de criar laços afectivos e de ter o desejo de não morrer, tal como os humanos.
Os humanos são omnívoros e por isso têm de comer carne.
Os humanos de facto são omnívoros mas isso não nos obriga necessariamente a comer carne. Permite-nos, sim, escolher entre uma alimentação baseada em carne e peixe ou uma baseada maioritária ou exclusivamente em vegetais. Apenas para que compreenda que não somos “fisiologicamente obrigados” a comer carne, note nas diferenças que nos levam a ser mais aptos para uma alimentação vegetariana do que para uma baseada em carne: os animais carnívoros possuem garras, dentes caninos longos e ausência de molares posteriores, acidez do suco estomacal muito elevado e digestão rápida dos alimentos; por outro lado, os humanos e herbívoros não possuem garras, os seus caninos são minúsculos (nos humanos, estando melhor preparados para trincar fruta do que para rasgar a carne de um animal) ou inexistentes (herbívoros), possuem molares posteriores, o ácido do estômago é 20 vezes menos concentrado do que nos carnívoros e a digestão dos alimentos é relativamente lenta.
Eu prefiro comer animais de criação extensiva. Esses não são maltratados.De facto, o conceito de criação extensiva pressupõe um menor sofrimento durante a criação dos animais. No entanto, estes animais possuem, tal como os humanos, a capacidade de sentir sofrimento, dor e angústia e não desejam ser explorados nem mortos para servir as necessidades de outro animal. Assim, em qualquer tipo de criação animal, o respeito para com os animais que possuem estes sentimentos é violado. Por outro lado, a criação extensiva também recorre aos mesmos métodos de transporte e morte no matadouro utilizados na criação intensiva, sendo os animais mortos em condições extremas, agonizando até ao seu último momento de vida. Em nenhum dos sistemas se pode dizer que o animal não sofre ou sofre pouco. Para que se coma o animal ele teve que morrer e para ele morrer teve de sofrer. Não existe um método indolor de matar animais. Mesmo que existisse, apesar de ser uma maneira mais "simpática", continuar-se-ia a explorar e a matar um animal com o único objectivo de saciar a sua fome, quando existem outras formas de o fazer sem causar sofrimento. A questão principal não deve ser: “como é que se pode diminuir o sofrimento?” mas sim “como é que se pode acabar com o sofrimento?”. A resposta está na vontade de cada um.
O que me preocupa é a fome/guerra/desemprego/trabalho infantil/abandono de animais de companhia/touradas/etc.... O vegetarianismo é pouco importante.
Estas questões são de facto muito importantes e cada pessoa deve fazer o máximo para que mudem. A grande diferença é que enquanto uma pessoa tem pouco ou nenhum poder para alterar a forma como certas coisas são feitas por outras pessoas, qualquer um de nós tem o poder de alterar o que está mais ao seu alcance – a sua alimentação. O vegetarianismo não impede nem se sobrepõe a outras causas justas que defenda.
Não é pelo facto de eu me tornar vegetariano/a que vá fazer alguma diferença.
O poder dos consumidores é um dos maiores que existe. Ao se recusar a comprar produtos de origem animal, leva a uma redução dos lucros de uma indústria que os obtem através da exploração e morte animal. Ao consumir produtos vegetarianos permite que estes estejam mais acessíveis para futuras gerações. Foi com o empenho inicial de apenas alguns vegetarianos que se conseguiu hoje criar uma enorme rede de lojas e
restaurantes vegetarianos, ao passo que o consumo de carne tem vindo a diminuir nos países desenvolvidos.
Comer carne não é contra natura.Sim, mas também não é isso que tentamos dizer. O que dizemos é que se existe uma alternativa vegetariana à ingestão de carne que é mais saudável, saborosa, ecologicamente mais responsável e que, principalmente, rejeita a exploração dos animais, então cada um de nós deve reflectir sobre as vantagens que esta alimentação tem e se a consegue implementar no seu dia-a-dia. Se conseguir fazê-lo estará a fazer bem a si, ao planeta e aos animais.
Os humanos estão no topo da cadeia alimentar. São predadores. Se deixarmos de comer carne o ecossistema deixa de funcionar.
Há muito tempo que esta cadeia foi manipulada/subvertida pela indústria da carne, de forma a produzir enormes quantidades de carne para toda a população, afastando-se a passos largos do que se entende por uma cadeia alimentar equilibrada. Os humanos não têm necessidade de comer carne e podem facilmente substitui-la por alimentos de origem vegetal. Com a enorme quantidade de recursos gastos e poluição produzida pela indústria da produção animal é que se vai aumentando diariamente o desequilíbrio entre a Natureza e o Homem.
Se nós não comermos os animais eles ficavam à solta.Isso só seria possível se a partir de amanhã todas as pessoas se tornassem vegetarianas. Como esta mensagem não chega a todas as pessoas ao mesmo tempo, há uma diminuição gradual desta indústria o que leva a que nunca exista a necessidade de libertar os animais, mas sim de deixar de os criar e explorar.
A criação de carne alimenta uma indústria que dá emprego a muita gente.Isso é verdade mas não seria a primeira vez que novos hábitos sociais mudariam a economia e, portanto, o emprego dos trabalhadores. Os postos de trabalho não iriam diminuir, apenas iriam ser substituídos. Qualquer ser humano tem uma grande capacidade de adaptação e muitas tarefas desaparecem frequentemente para dar lugar a outras. Por exemplo, o aparecimento dos automóveis levou a que os postos de trabalho para construtores de coches e criadores de cavalos diminuíssem acentuadamente, mas novos postos de trabalho foram criados para a contrução e manutenção de carros.
Se não comermos os animais, certas espécies extinguem-se.E será eticamente correcto provocar sofrimento, explorar e matar animais de uma espécie com a justificação de evitar que a espécie se extinga?
É impossível sermos todos vegetarianos. Os esquimós, por exemplo, têm obrigatoriamente de se alimentar de animais.
O vegetarianismo parte do princípio de que se deve evitar, sempre que possível, a ingestão de animais. Se não for possível, tal como para os esquimós que não têm nenhuma outra fonte de nutrientes que não seja animal, então cada um, dentro das suas possibilidades, deve fazer o máximo para evitar o sofrimento animal. No entanto, cabe a cada um de nós a tarefa de criar as condições para que exista uma alternativa.
Uma alimentação vegetariana, como exclui a carne, tem menos diversidade do que uma alimentação com carne.Pelo contrário. A alimentação vegetariana recorre a uma variedade de alimentos que não chegam a ser utilizados numa alimentação não-vegetariana. Se experimentar o vegetarianismo, vai reparar que existe uma variedade surpreendente de alimentos, que não conhecia ou não usava, e que podem ser cozinhados de mil e uma maneiras saborosas.
Se eu não comer carne não vou ingerir proteínas/ferro/calorias suficientes e posso ficar doente.
Se continuar a comer carne também pode ficar doente. Desde que faça uma alimentação equilibrada e diversificada não deverá ter problemas de carência de qualquer nutriente, pelo contrário, observará que a sua saúde melhora ou, no mínimo, mantém-se. Se continua com receio visite um nutricionista e diga-lhe que está a pensar tornar-se vegetariano/a. Assim não correrá nenhum risco.
Os vegetarianos não são pessoas pálidas e apáticas?Não. Pessoas mal informadas e descuidadas na alimentação, por vezes movidas por motivos exclusivamente estéticos, optam pelo vegetarianismo, provocando-lhes problemas de saúde. Os vegetarianos são pessoas normais como você que simplesmente preferem ter uma alimentação livre de sofrimento e exploração. A sua saúde é o mais importante, mas não deve ser um obstáculo para que opte por uma alimentação livre de sofrimento, uma vez que se fizer uma transição gradual e informada, não deverá ter qualquer problema. Vários estudos imparciais já concluiram que o regime alimentar vegetariano é mais saudável do que um baseado no ingestão de carne.
Eu gosto de comer carne.Já experimentou comer comida vegetariana? Se for bem preparada, consegue ser bem mais apetitosa e saciante que a carne, para além de não lhe deixar o peso na consciência por ter provocado morte e sofrimento num animal.
Mas o animal já está morto. Eu não matei nada, só comi.
Pode não ter morto, mas deu dinheiro para matar. Ao dar dinheiro por um animal ou parte dele está a criar um “efeito de prateleira”, ou seja, ao dar dinheiro pela carne está a retirar um produto e a deixar um lugar vago na prateleira. Com esse dinheiro o comerciante vai poder matar outro animal para substituir o que acabou de levar, preenchendo o lugar vazio. De facto o animal que come já não sofre mais, mas ao alimentar esse negócio, está a fazer com que outros animais sofram em seguida.
É muito difícil deixar a carne.
Já experimentou? Não custa muito. Experimente durante algumas semanas fazendo
receitas que ache que vai gostar e procurando novos alimentos. Se começar gradualmente a eliminar produtos de origem animal custa menos e, desta forma, dará tempo para que o seu corpo se habitue à sua nova alimentação. Peça ajuda a outros vegetarianos e/ou a um nutricionista.
A alimentação vegetariana não é mais cara?Não. É claro que existem produtos congelados e prontos-a-comer que são obviamente caros porque implicam um elevado nível de processamento e ainda porque geralmente são importados. Mas uma alimentação vegetariana sem estes pequenos luxos consegue ser, sem dúvida, mais económica.
O que é que eu como se me tornar vegetariano?
Existem várias alternativas e cada dia aparecem mais. Os substitutos da carne mais comuns são o seitan, tofu, e diversas leguminosas, embora a oferta em supermercados e lojas de produtos dietéticos tenha vindo a aumentar muito nos últimos anos. Pergunte em lojas de produtos naturais ou a outros vegetarianos, procure
receitas na Internet ou improvise.